Condições higiênico-sanitárias e frescor do pescado comercializado em estabelecimentos varejistas em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-264Palavras-chave:
inocuidade dos alimentos, produtos de origem animal, qualidade dos alimentosResumo
O pescado apresenta elevada perecibilidade, tornando as condições higiênico-sanitárias de comercialização e a manutenção do frescor aspectos importantes para a qualidade do produto. Objetivou-se avaliar as condições higiênico-sanitárias de estabelecimentos comercializadores de pescado no município de Juiz de Fora, Minas Gerais, e o frescor de peixes comercializados por meio de avaliação macroscópica baseada nos critérios estabelecidos pela legislação brasileira. Trata-se de um estudo observacional e descritivo, realizado em duas etapas. Inicialmente, cinco estabelecimentos foram avaliados por meio de checklist, sendo calculado o Índice de Conformidade (IC) para as categorias avaliadas e para cada estabelecimento. Posteriormente, foram avaliadas 12 amostras de peixes quanto aos parâmetros macroscópicos de frescor. Observou-se variação nas condições higiênico-sanitárias entre os estabelecimentos, com quatro classificados com baixo IC e um como básico. As categorias área interna (p = 0,0099) e produtos (p = 0,0001) apresentaram diferença significativa entre os estabelecimentos. Todas as amostras apresentaram alterações em pelo menos um dos parâmetros macroscópicos avaliados, sendo o ânus o único parâmetro com maior frequência de não conformidade após correção de Holm (p = 0,004). Conclui-se que foram identificadas inadequações nas condições de comercialização e alterações nas características macroscópicas de frescor do pescado, reforçando a importância das Boas Práticas de Manipulação e do monitoramento das condições de comercialização.
Referências
ABERA, B. D.; ADIMAS, M. A. Health benefits and health risks of contaminated fish consumption: Current research outputs, research approaches, and perspectives. Heliyon, Londres, v. 10, n. 13, p. 33905, 2024. DOI: 10.1016/j.heliyon.2024.e33905.
AGUERIA, D. A.; LIBONATTI, C.; CIVIT. D. Cleaning and disinfection programmes in food establishments: a literature review on verification procedures. Journal of Applied Microbiology, Oxford, v. 131, n. 1, p. 25-35, 2021. DOI: 10.1111/jam.14962.
BRASIL. Ministério da Pesca e Aquicultura. Boletim estatístico da pesca e aquicultura 2023/2024. Brasília, DF: Ministério da Pesca e Aquicultura, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mpa/pt-br/assuntos/cadastro-registro-e-monitoramento/estatistica-pesqueira/retomada-estatistica-pesqueira. Acesso em: 16 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n. 216, de 15 de setembro de 2004. Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 16 set. 2004 Disponível em: https://portal.contagem.mg.gov.br/imgeditor/file/Vigilancia%20Sanit%C3%A1ria/Servi%C3%A7o%20de%20alimentos/RDC%20216%202004.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n. 429, de 8 de outubro de 2020. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 09 de out. 2020a. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-de-diretoria-colegiada-rdc-n-429-de-8-de-outubro-de-2020-282070599. Acesso em: 11 ago. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa – IN n. 75, de 8 de outubro de 2020. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 09 out. 2020b. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-in-n-75-de-8-de-outubro-de-2020-282071143. Acesso em: 11 ago. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n. 727, de 1º de julho de 2022. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 06 jun. 2022. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-727-de-1-de-julho-de-2022-413249279. Acesso em: 11 de ago. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Decreto no 9.013, de 29 de março de 2017. Regulamenta a Lei no 1.283, de 18 de dezembro de 1950, e a Lei no 7.889, de 23 de novembro de 1989, que dispõem sobre a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Diário Oficial da União: seção 1, n. 62, p. 3-27, 30 mar. 2017. Retificado pelos Decreto no. 9.069 de 31 de maio de 2017. Alterado pelos decretos: no 9.621 de 20 dez. 2018, no 10.130 de 25 nov. 2019, no 10.419 de 7 jul. 2020 e no 10.468 de 18 ago. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/20134722/do1-2017-03-30-decreto-n-9-013-de- 29-de-marco-de-2017-20134698. Acesso em: 16 jul. 2026.
CHOLEWINSKI, M.; DERDA, M.; HADAS, E. Hygiene pests as vectors for parasitic and bacterial diseases in humans. Ann Parasitol, Warsaw, v. 63, n. 2, p. 81-97, 2017. DOI: 10.17420/ap6302.90.
FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. The state of world fisheries and aquaculture 2020. Rome: FAO, 2020. 224p. Disponível em: https://www.fao.org/documents/card/en/c/ca9229en/.Acesso em 16 jul. 2026.
FREITAS, J.; VAZ-PIRES, P. CÂMARA, J. S. Freshness Assessment and Shelf-Life Prediction for Seriola dumerili from Aquaculture Based on the Quality Index Method. Molecules, Basel, v. 24, n. 19, p. 3530, 2019. DOI: 10.3390/molecules24193530.
GREMA, H. A.; KWAGA, J. K. P.; BELLO, M.; UMARU, O. H. Understanding fish production and marketing systems in North-western Nigeria and identification of potential food safety risks using value chain framewor. Preventive veterinary medicine, Amsterdam, v. 181, n. 1, p. 105038, 2020. DOI: 10.1016/j.prevetmed.2020.105038.
IBRAHIM, S. M. H.; AHMED, M. A. E. S.; HASSAN, G. S. On-job training program for food handlers about food safety standards. BMC Public Health, Londres, v. 26, n. 1, p. 1241, 2026. DOI: 10.1186/s12889-026-26228-4.
LI, P.; SAKAI, Y.; KUROKURA, H.; YAGI, N. Can consumers judge the freshness of fish from visual cues? A case study of japanese consumers. Foods, Basel, v. 13, n. 19, p. 3191, 2024. DOI: 10.3390/foods13193191.
MICROSOFT. Microsoft Excel. Versão 2019. Redmond, WA: Microsoft Corporation, 2019.
MINOZZO, M.; MACHADO, M. S.; NASCIMENTO, N. R. S.; SILVA, R. C. C. Desenvolvimento e aplicação do método do índice de qualidade (QIM) para estimativa da vida útil do peroá (Balistes capriscus) armazenado em gelo. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, Curitiba, v. 9, n. 2, p. e86551, 2026. DOI: 10.34188/bjaerv9n2-009.
NUNES, L. P.; DUTRA, F. M.; BORGES, J. A. R. Consumo de peixes: uma aplicação da teoria do comportamento planejado. Brazilian Journal of Scientific Administration, Aracaju, v. 11, n. 1, p. 189-204, 2020. DOI:10.6008/CBPC2179-684X.2020.001.0014.
POSIT TEAM. RStudio: Integrated Development Environment for R. Boston, MA: Posit Software, PBC, 2026.
R CORE TEAM. R: A language and environment for statistical computing. Vienna, Austria: R Foundation for Statistical Computing, 2026.
ROCCULI, P.; CEVOLI, C.; TAPPI, S.; GENOVESE, J.; URBINATI, E.; PICONE, G.; FABBRI, A.; CAPOZZI, F.; ROSA, M. D. Freshness assessment of European hake (Merluccius merluccius) through the evaluation of eye chromatic and morphological characteristics. Food research international, Amsterdam, v. 115, n. 1, p. 231-240, 2019. DOI: 10.1016/j.foodres.2018.08.091.
SÁNCHEZ, A. J.C.; CHAURAND, L. D. E.; RAMIREZ, M. D.; OCHOA, E. T. Plesiomonas: a review on food safety, fish-borne diseases, and tilapia. Scientific World Journal, Boynton Beach, v. 21, n.1, p. 3119958, 2021. DOI: 10.1155/2021/3119958.
SANTOS, E. H. B.; ALVARENGA, F. K. M.; NOGUEIRA, S. M. V.; RIBEIRA, I. C. D. Avaliação das condições higiênico-sanitárias no comércio de pescados em um mercado do peixe. Journal of Health Sciences, Londrina, v. 18, n. 3, p. 151, 2016. DOI: 10.17921/2447-8938.2016v18n3p151-8.
SINGH, A.; GUTUB, A.; NAYYAR, A.; KHAN, M. K. Redefining food safety traceability system through blockchain: findings, challenges and open issues. Multimedia tools and Applications, New York, v. 82, n. 14, p. 21243-21277, 2023. DOI: 10.1007/s11042-022-14006-4.
SOUZA, A. L. M.; OLIVEIRA, M. E. R.; FAGUNDES, L. B.; OLIVEIRA, G. R.; CALIXTO, F. A.A.; CABRAL, C. C. Condições higiênico-sanitárias na comercialização de pescado em supermercados de municípios do Estado do RJ. Científica Digital, Guarujá, v. 14, n. 1, p. 198-208, 2020. DOI: 10.37885/201001782.
SOUZA, E. R. O.; PONTES, A. N. Mercados públicos da cidade de Belém do estado do Pará, Brasil: inventário dos pescados comercializados e condições higiênico-sanitárias. Research Society and Development, Itabira, v. 9, n. 8, p. e647985971, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i8.5971.
OLIVEROS, A. D.; BERNIER, D.; OBANDO-CHAVES, M.; VÁQUIRO, H. A. Overall quality and sanitation evaluation of fish stores at local markets in Ibagué, Tolima, Colombia. Journal of Food Protection, Des Moines, v. 82, n. 6, p. 1016-1021, 2019. DOI: 10.4315/0362-028X.JFP-18-209.
WAGNER, Y. G.; COELHO, A. B.; TRAVASSOS, G. F. Análise do consumo domiciliar de pescados no Brasil utilizando dados da POF 2017-2018. Revista de Economia e Sociologia Rural, Brasília, v. 61, n.3, p. 250494, 2023. DOI: 10.1590/1806-9479.2022.250494.
ZEGENE, G. M.; MERETA, S. T.; MEKONEN, S. Factors affecting microbial safety behavior of beef handlers working in major beef retailers in Mizan-Aman, Southwest Ethiopia. PloS One, San Francisco, v. 20, n. 7, p. e0326862, 2025. DOI: 10.1371/journal.pone.0326862.
ZHANG, W.; YU, Y.; ELE, H.; LV, X.; LIU, Z.; NI, L. The adhension and spoilage of Shewanella putrefaciens in tilapia. Foods, Basel, v. 11, n. 13, p.1913, 2022. DOI: 10.3390/foods11131913.
ZHUANG, S.; HONG, H.; ZHANG, L.; LUO, Y. Spoilage-related microbiota in fish and crustaceans during storage: Research progress and future trends. Comprehensive reviews in food science and food safety, Chicago, v. 20, n. 1, p. 252-288, 2021. DOI: 10.1111/1541-4337.12659.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.