Impacto das doenças crônicas não transmissíveis nas internações do SUS: evolução, gastos e diferenças regionais no Brasil, 2008–2024

Autores

  • Ramon Girotto
  • Luís Otávio Torres
  • Ephigenia Emanuelly de Oliveira Cesilio
  • Davi Abrantes Rosique
  • Caio Castanheira Melo Ribeiro
  • Isabelle Arruda Leão Oliveira
  • Guilherme da Mata e Castro
  • Victoria Dias Carneiro de Abreu
  • Lídia Acyole de Souza

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-232

Palavras-chave:

doenças crônicas não transmissíveis, hospitalização, Sistema Único de Saúde, gastos em saúde, desigualdades regionais

Resumo

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão entre os principais problemas de saúde pública e exigem acompanhamento contínuo. Este estudo analisou as internações financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por doenças do aparelho circulatório, neoplasias malignas, diabetes mellitus e doenças respiratórias crônicas, no Brasil, entre 2008 e 2024. Foram utilizados dados agregados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), organizados por local de residência, além de projeções populacionais e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Foram observados o número de internações, a taxa por 100 mil habitantes, os óbitos registrados durante a internação, a permanência média e os valores hospitalares corrigidos para dezembro de 2024. Em 2024, os quatro grupos somaram 2.316.455 internações, 184.384 óbitos registrados e R$ 7,25 bilhões em valores corrigidos. As doenças do aparelho circulatório concentraram o maior número de internações, enquanto as neoplasias malignas apresentaram o crescimento mais expressivo ao longo da série. As doenças respiratórias crônicas tiveram forte redução no número e na taxa de internações, e o diabetes apresentou queda mais moderada. Durante 2020 e 2021 houve redução das internações, seguida de recuperação em 2022. Também foram observadas diferenças importantes entre as regiões brasileiras. Os resultados mostram que as DCNT não formam um grupo homogêneo e que o planejamento do SUS deve combinar prevenção, atenção primária, diagnóstico oportuno, tratamento contínuo e organização regional da assistência. Como os dados representam eventos hospitalares financiados pelo SUS, não representam necessariamente pessoas únicas, incidência populacional ou o custo total da assistência.

Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Brasília, DF: Conselho Nacional de Saúde, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2016/resolucao-no-510.pdf. Acesso em: 30 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Morbidade hospitalar do SUS por local de residência: TABNET. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.-c]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/nruf.def. Acesso em: 30 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Morbidade hospitalar do SUS — SIH/SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.-b]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/morbidade-hospitalar-do-sus-sih-sus/. Acesso em: 30 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de doenças crônicas não transmissíveis. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.-a]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/vigilancia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis. Acesso em: 30 ago. 2026.

BRASIL; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da população por Unidade da Federação, sexo e idade, 2000–2070: edição 2024. Brasília, DF; Rio de Janeiro: DATASUS; IBGE, 2024. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/cnv/projpop2024uf.def. Acesso em: 30 ago. 2026.

GUIMARÃES, Rafael Alves et al. Analysis of the impact of coronavirus disease 19 on hospitalization rates for chronic non-communicable diseases in Brazil. PLOS ONE, v. 17, n. 3, e0265458, 2022. DOI: 10.1371/journal.pone.0265458. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0265458. Acesso em: 30 ago. 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA. Rio de Janeiro: IBGE, [s.d.]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html. Acesso em: 30 ago. 2026.

MALTA, Deborah Carvalho et al. Noncommunicable disease burden in Brazil and its states from 1990 to 2021, with projections for 2030. Public Health, v. 236, p. 422–429, 2024. DOI: 10.1016/j.puhe.2024.09.006. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39305660/. Acesso em: 30 ago. 2026.

STROBE. Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology. [S. l.]: STROBE, [s.d.]. Disponível em: https://www.strobe-statement.org/. Acesso em: 30 ago. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Noncommunicable diseases: fact sheet. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases. Acesso em: 30 ago. 2026.

Downloads

Publicado

2026-09-04

Como Citar

Girotto, R., Torres, L. O., Cesilio, E. E. de O., Rosique, D. A., Ribeiro, C. C. M., Oliveira, I. A. L., Castro, G. da M. e, Abreu, V. D. C. de, & Souza, L. A. de. (2026). Impacto das doenças crônicas não transmissíveis nas internações do SUS: evolução, gastos e diferenças regionais no Brasil, 2008–2024. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(3), e89112. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-232

Edição

Seção

Artigos originais