Transição demográfico-ecológico-tecnológica sustentável: população, clima, território, migração, robótica e mineração espacial como elementos de um novo paradigma de preservação ambiental
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-203Resumo
A intensificação das mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade, a pressão sobre recursos hídricos, energéticos e minerais e a expansão urbana colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre população, desenvolvimento e capacidade ecológica do planeta. Este artigo propõe a concepção de uma Transição Demográfico-Ecológico-Tecnológica Sustentável, estruturada a partir da hipótese de que o crescimento populacional, embora não constitua isoladamente a causa das mudanças climáticas, amplia potencialmente a escala da demanda humana por alimentos, água, energia, habitação, transporte, infraestrutura, bens de consumo e território e, consequentemente, pode ampliar a pressão ambiental agregada. A pesquisa sustenta que, diante da insuficiência tecnológica atual para assegurar uma expansão populacional indefinida sem aumento correspondente da pressão ecológica, uma redução gradual, voluntária e baseada em direitos humanos do crescimento demográfico pode constituir uma estratégia temporária de mitigação, particularmente quando combinada com transição energética, economia circular, eficiência material, planejamento territorial, inovação e automação. Defende-se que menor pressão demográfica poderá contribuir para reduzir determinados níveis de congestionamento, ocupação territorial, demanda de infraestrutura, consumo agregado de recursos e conversão de áreas naturais, sem que isso implique defender políticas coercitivas de controle reprodutivo. O artigo também desenvolve os conceitos de Reprecificação Climática do Território, Valor Climático Imobiliário e Robótica Sustentável de Ciclo de Vida Integral. Analisa-se, ainda, a mineração espacial como possibilidade futura de ampliação da disponibilidade de determinados recursos minerais fora da Terra, potencialmente reduzindo parte da pressão sobre ambientes terrestres, desde que desenvolvida sob rigorosos parâmetros ambientais, jurídicos e de governança internacional. Como contribuição metodológica, propõe-se o Índice de Transição Demográfico-Ecológico-Tecnológica (ITDET), destinado a integrar variáveis demográficas, ambientais, climáticas, territoriais e tecnológicas. Conclui-se que a humanidade se encontra em uma fase de transição na qual a redução da pressão demográfica pode funcionar como mecanismo temporário de proteção planetária até que tecnologias de produção, energia, reciclagem, automação, regeneração ambiental e expansão espacial permitam dissociar, em maior escala, o crescimento da civilização da degradação ecológica.
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