Políticas de bem-estar e saúde mental na gestão escolar do ensino médio: estratégias de acolhimento diante da violência intrafamiliar e do refúgio digital no município de Planaltina – GO
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-170Resumo
O presente artigo analisa a relação entre saúde mental, violência intrafamiliar, uso intensivo das tecnologias digitais e gestão escolar no Ensino Médio, tomando como campo de investigação os Colégios Estaduais em Período Integral (CEPIs) localizados no município de Planaltina, Goiás. Parte-se do pressuposto de que o sofrimento psíquico de adolescentes não pode ser compreendido exclusivamente a partir do desempenho escolar ou de características individuais, uma vez que se constitui na interseção entre condições familiares, relações sociais, desigualdades socioeconômicas, experiências de violência, pertencimento escolar e formas contemporâneas de sociabilidade mediadas pelas tecnologias digitais. O objetivo consiste em analisar de que maneira as políticas e práticas de bem-estar podem contribuir para a identificação, acolhimento e encaminhamento de situações de sofrimento psicológico, especialmente quando relacionadas à violência intrafamiliar e ao uso das redes digitais como mecanismo de fuga ou compensação emocional. Metodologicamente, desenvolve-se uma investigação qualitativa, exploratória e documental, articulada a uma perspectiva cartográfica, tendo como corpus os Projetos Político-Pedagógicos e regimentos internos de cinco CEPIs do município investigado. A discussão é fundamentada em estudos sobre saúde mental na adolescência, violência intrafamiliar, bullying, cyberbullying, uso excessivo de redes sociais, gestão democrática e aprendizagem dialógica, além da legislação brasileira de proteção à criança e ao adolescente. Argumenta-se que a escola constitui importante espaço de proteção, embora não possa assumir isoladamente funções clínicas, familiares ou de assistência social. A gestão escolar deve, portanto, fortalecer mecanismos de escuta, prevenção, identificação de sinais de sofrimento e articulação intersetorial, em consonância com a Lei nº 14.819/2024, que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. Como possibilidade pedagógica, discutem-se as Tertúlias Dialógicas como estratégia de participação, diálogo e fortalecimento dos vínculos, desde que utilizadas como prática educativa e não como substituição ao atendimento especializado. Conclui-se que uma política escolar de bem-estar precisa integrar acolhimento, prevenção da violência, formação continuada dos profissionais, participação estudantil e articulação permanente com as redes de saúde, assistência social e proteção de direitos.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Isto não é um diário. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. A edição brasileira foi lançada pela Zahar em 2012.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990.
BRASIL. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Brasília, DF, 2015.
BRASIL. Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017. Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. Brasília, DF, 2017.
BRASIL. Lei nº 13.935, de 11 de dezembro de 2019. Dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e de serviço social nas redes públicas de educação básica. Brasília, DF, 2019.
BRASIL. Lei nº 14.811, de 12 de janeiro de 2024. Institui medidas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos educacionais ou similares. Brasília, DF, 2024.
BRASIL. Lei nº 14.819, de 16 de janeiro de 2024. Institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. Brasília, DF, 2024.
DESMURGET, Michel. A fábrica de cretinos digitais: os perigos das telas para nossas crianças. São Paulo: Vestígio, 2021.
FLECHA, Ramón. Compartilhando palavras: o aprendizado dialógico na sociedade da informação. São Paulo: Cortez, 2006.
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 6. ed. São Paulo: Heccus, 2018.
MAGALHÃES, et al. Violência intrafamiliar presenciada e vivenciada por adolescentes escolares. Cogitare Enfermagem, v. 27, 2022. DOI: 10.5380/ce.v27i0.84185.
PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: T. A. Queiroz, 1990. A obra permanece referência para a compreensão do fracasso escolar como processo psicossocial complexo.
UNESCO. Behind the numbers: ending school violence and bullying. Paris: UNESCO, 2019.
UNICEF BRASIL; FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Brasília, DF, 2021.
UNICEF BRASIL; FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil 2021-2023. Brasília, DF.
UNICEF BRASIL. Educação que protege contra a violência. Brasília, DF, 2019.
UNICEF BRASIL. Comunidade escolar na prevenção e resposta às violências. Brasília, DF.
VIEIRA, Yohana Pereira; VIERO, Vanise dos Santos Ferreira. Excessive use of social media by high school students in southern Brazil. Revista Paulista de Pediatria, 2022.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health of adolescents. Geneva: WHO, 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Adolescent and young adult health. Geneva: WHO.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.