Caracterização do ambiente térmico e avaliação do risco de estresse calórico para bovinos de corte durante o pastejo de outono-inverno nas regiões Central e Campanha Gaúcha
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-084Palavras-chave:
biometeorologia animal, conforto térmico, mudanças climáticas, ITU, integração lavoura-pecuáriaResumo
Apesar de o outono-inverno ser tradicionalmente considerado um período favorável à bovinocultura de corte no Sul do Brasil, a ocorrência de estresse térmico nessa estação ainda é pouco investigada. Assim, objetivou-se caracterizar o ambiente térmico e avaliar o risco de estresse calórico para bovinos de corte durante o período de pastejo de outono-inverno nas regiões Central e Campanha gaúcha. Foram utilizados dados meteorológicos horários das estações automáticas do INMET, localizadas em Santa Maria, Santana do Livramento, Bagé e Caçapava do Sul, abrangendo o período de 2002 a 2025, conforme a disponibilidade de dados. Foram analisadas a temperatura máxima e mínima do ar, o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a variação sazonal e horária das condições meteorológicas e a frequência de ocorrência dos limiares de ITU superiores a 72 de maio a outubro. A temperatura máxima ultrapassou a temperatura crítica superior para bovinos europeus (27 °C) em todos os meses analisados, enquanto os valores máximos de ITU permaneceram acima de 72 mesmo durante o inverno. Santa Maria apresentou as condições de maior risco, seguida por Bagé, Santana do Livramento e Caçapava do Sul. A frequência de ITU superior a 72 aumentou progressivamente entre maio e outubro, atingindo 17,0% das horas em Santa Maria e cerca de 9% na Campanha em outubro. Conclui-se que episódios de estresse térmico ocorrem durante o período de pastejo, especialmente à tarde e na transição para a primavera, reforçando a necessidade da adoção de estratégias de adaptação, como sistemas arborizados, sombreamento e manejo adequado do pastejo.
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