Análise comparativa da compostagem de resíduos sólidos orgânicos em sistemas abertos e fechados

Autores

  • Carlos Henrique da Costa Brauna
  • Ricardo Silva de Sousa
  • Ramon Marques Campelo
  • Bruna Silveira Lira
  • Maurício Pereira de Moura

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-080

Palavras-chave:

tratamento aeróbio, reatores estáticos, leiras, maturação, Relação C/N

Resumo

O crescimento populacional e o consequente aumento na geração de resíduos sólidos urbanos impõem severos desafios ambientais significativos, tornando a compostagem uma alternativa estratégica para o tratamento da fração orgânica. O presente estudo teve como objetivo realizar uma análise comparativa da eficiência técnica entre sistemas de compostagem abertos (leiras em pilhas) e fechados (reatores estáticos de baixo custo), com foco na relação carbono/nitrogênio (C/N). O experimento foi conduzido em Teresina-PI, utilizando resíduos alimentares provenientes de estabelecimentos comerciais de grande porte, misturados com serragem para ajuste da relação C/N inicial. O processo foi monitorado ao longo de 60 dias, avaliando-se parâmetros de temperatura, umidade, pH e a relação C/N final. Os resultados demonstraram que ambos os sistemas atingiram a fase termofílica, essencial para a higienização do material. Contudo, a análise estatística revelou diferenças significativas na maturação do composto. O sistema de pilhas mostrou-se mais eficiente na estabilização da matéria orgânica, alcançando relação C/N média de 16,18, enquadrando-se nos padrões normativos para uso agrícola. Em contrapartida, os reatores fechados apresentaram decomposição mais lenta, resultando em relação C/N média de 29,26, indicativa de um material em estágio de maturação menos avançado. Conclui-se que, embora os sistemas fechados ofereçam vantagens no controle ambiental, o sistema aberto apresentou melhor desempenho na produção de composto estabilizado nas condições operacionais estudadas, possivelmente associado à maior eficiência da aeração natural.

Referências

ABNT. NBR 13591: Compostagem. Rio de Janeiro: ABNT, 1996.

ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil – Edição 2020. São Paulo: ABRELPE, 2020. Disponível em: https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 6 jul. 2025.

ABREMA. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024. São Paulo: ABREMA, 2024. Disponível em: https://www.abrema.org.br/panorama/. Acesso em: 6 jul. 2025.

BRASIL. Decreto nº 11.043, de 13 de abril de 2022. Institui o Plano Nacional de Resíduos Sólidos - Planares e dispõe sobre a sua revisão, elaboração e conteúdo, e sobre o seu acompanhamento e avaliação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 14 abr. 2022.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 ago. 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 6 jul. 2025.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 61, de 8 de julho de 2020. Estabelece as regras sobre definição, classificação, registro e renovação de registro de estabelecimento e de produto, [...] para os fertilizantes orgânicos e os biofertilizantes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 4, 15 jul. 2020.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução nº 481, de 3 de outubro de 2017. Estabelece critérios e procedimentos para garantir o controle e a qualidade ambiental do processo de compostagem de resíduos orgânicos, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 104, 4 out. 2017.

CABRAL, Umberlândia. De 2010 a 2022, população brasileira cresce 6,5% e chega a 203,1 milhões. Agência de Notícias IBGE, Rio de Janeiro, 28 jun. 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia- de-noticias/noticias/37237-de-2010-a-2022-populacao-brasileira-cresce-6-5-e-chega- a-203-1-milhoes. Acesso em: 6 jul. 2025.

COSTA, Amanda Rodrigues Santos et al. O processo da compostagem e seu potencial na reciclagem de resíduos orgânicos. Recife, 2015. Disponível em: https://www.journals.ufrpe.br/index.php/geama/article/view/503/1430. Acesso em: 6 jul. 2025.

FERNANDES, Fernando; SILVA, Sandra M. C. P. Manual prático para a compostagem de biossólidos. Londrina: PROSAB - Programa de Pesquisa em Saneamento Básico, 1999.

INÁCIO, C. de T.; MILLER, Paul Richard Momsen. Compostagem: ciência e prática para a gestão de resíduos orgânicos. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2009.

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET). Normais climatológicas do Brasil. Brasília: INMET, 2017. Disponível em: https://portal.inmet.gov.br. Acesso em: 15 de julho de 2026.

KIEHL, Edmar José. Compostagem: a outra metade da reciclagem. 3. ed. São Paulo, SP: CEMPRE, 2005. 32 p. (Cadernos de Reciclagem; 6). Disponível em: https://cempre.org.br/wp-content/uploads/2020/11/2-Caderno6.pdf. Acesso em: 6 jul. 2025.

KIEHL, Edmar José. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: Ceres, 1985.

KUMAR, M.; OU, Y; LIN, J. Co-composting of green waste and food waste at low C/N ratio. Waste Management, v. 30, p. 602–609, 2010.

OLIVEIRA, R.; FREITAS, A.; MACEDO, A.; VENROBER, V.. FARRAPEIRA NETO, C. Compostagem acelerada de resíduos orgânicos: análise de caso por meio de uso de equipamento eletromecânico. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research. v. 3, n.1, p. 66-72, 2020.

OLIVEIRA, A. C. E.; SARTORI, H. R.; GARCEZ, B. T. Compostagem. Piracicaba, SP: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas, 2008.

PEREIRA, Bárbara Silva. Sistemas experimentais de compostagem de resíduos orgânicos: estudos de caso. 2016. 115 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) — Faculdade de Engenharia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Campus de Bauru, Bauru, 2016.

PIRES, A. B. Análise de Viabilidade Econômica de um Sistema de Compostagem Acelerada para Resíduos Sólidos Urbanos. 2011. 65 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Ambiental) – Faculdade de Engenharia e Arquitetura, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2011.

R CORE TEAM. R: a language and environment for statistical computing. Vienna: R Foundation for Statistical Computing, 2018. Disponível em: <https://www.R-project.org>. Acesso em: 20 Nov. 2025.

SILVA, F. C. Manual de análises químicas de solos, plantas e fertilizantes. 2. ed. Brasília: EMBRAPA Informação Tecnológica, 2009.

YEOMANS, J. C.; BREMNER, J. M. A rapid and precise method for routine determination of organic carbon in soil. Communications in Soil Science and Plant Analysis, [S. l.], v. 19, n. 13, p. 1467-1476, 1988.

VALENTE, B. S. et al. Fatores que afetam o desenvolvimento da compostagem de resíduos orgânicos. Arquivos de Zootecnia, v. 58, n. 1, p. 59-85, 2009.

Downloads

Publicado

2026-07-28

Como Citar

Brauna, C. H. da C., Sousa, R. S. de, Campelo, R. M., Lira, B. S., & Moura, M. P. de. (2026). Análise comparativa da compostagem de resíduos sólidos orgânicos em sistemas abertos e fechados. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(3), e88478. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-080

Edição

Seção

Artigos originais