Tomografia computadorizada e modelagem digital como ferramentas de diagnóstico da idade de morte de indivíduo subadulto, Família Tapiridae, Gruta dos Fósseis, MT, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-060Palavras-chave:
Tapiridae, anta, odontologia veterinária, odontogênese, gruta dos fósseisResumo
A anta brasileira (Tapirus terrestris), maior mamífero terrestre nativo da América do Sul, desempenha papel fundamental como dispersora de sementes, mas encontra-se atualmente classificada como “vulnerável” pela IUCN devido à perda de habitat e à caça. O conhecimento de aspectos da biologia e dinâmica populacional da espécie é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de conservação. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo estimar a idade de morte de um indivíduo de Tapirus terrestris a partir da análise de remanescentes ósseos resgatados no sítio paleontológico Gruta dos Fósseis (Cocalinho-MT), em expedição do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da Universidade de São Paulo (LAAAE/USP). O material consiste em uma mandíbula praticamente intacta (indivíduo TAP-02), encontrada a até 7 m de profundidade na porção subaquática do sítio, com datação estimada entre 10 e 50 mil anos AP. A metodologia baseou-se na análise tomográfica das estruturas internas e externas da mandíbula, com processamento digital das imagens no software InVesalius 3.1, focando no padrão de erupção e desenvolvimento dentário. Utilizou-se como referência principal a tabela de erupção e desgaste dentário proposta por Gibson (2011) e o protocolo específico para Tapirus terrestris de Cumerlato et al. (2022), além dos dados de Maffei (2003). Os resultados mostraram a presença de pré-molares decíduos erupcionados com pouco desgaste e o primeiro molar permanente em fase eruptiva, com a coroa totalmente formada e a cripta dentária já rompida na face cervical, caracterizando a fase de raiz. Não foram observados germes dentários em estágios avançados para o segundo molar, apenas o espaço correspondente à cripta dentária íntegra. A comparação com as referências indicou que nenhuma série eruptiva correspondia exatamente ao estado da peça analisada, optando-se pela classificação de Cumerlato et al. (2022) por ser específica para a espécie no território brasileiro. Conclui-se que o indivíduo TAP-02 morreu com idade estimada entre 1 e 2 anos, classificado como Sub-Adulto, caracterizado pela presença de pré-molares decíduos com pouco desgaste e primeiro molar permanente em erupção na fase odontogênica de raiz. Não foram evidenciadas marcas de corte ou queimadura que indicassem interação antrópica, corroborando a hipótese de morte natural por queda em armadilha geológica. Este estudo destaca o potencial de técnicas tomográficas e de reconstrução digital na análise de material paleontológico excepcionalmente preservado, podendo subsidiar revisões taxonômicas e futuros protocolos de análise para sítios semelhantes no Brasil.
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