Hepatite C em idosos no centro-oeste brasileiro: perfil epidemiológico e tendência temporal das notificações entre 2015 e 2023
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-037Palavras-chave:
Hepatite C, idoso, epidemiologia, vigilância epidemiológica, estudos de séries temporais, BrasilResumo
Introdução: A hepatite C permanece como agravo relevante para a saúde pública brasileira, essencialmente em razão de sua evolução silenciosa e pelo risco de complicações hepáticas em fases avançadas. Em populações idosas, é de extrema relevância a investigação dessa patologia, tendo em vista a possibilidade de infecções antigas e diagnóstico tardio. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal da taxa de detecção de hepatite C em indivíduos com 60 anos ou mais que eram residentes na região Centro-Oeste, entre 2015 e 2023. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e de série temporal, construído a partir de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídos casos confirmados de hepatite C em idosos residentes em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas e geográficas, bem como taxas de detecção por 100.000 idosos, as quais foram calculadas com base nas projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A tendência temporal foi avaliada por regressão Joinpoint. Resultados: Foram identificados 3.301 casos confirmados durante o período avaliado. Majoritariamente acometeu homens (58,6%), indivíduos de 60 a 69 anos (70,8%) e pessoas autodeclaradas pardas (41,7%). A variável escolaridade apresentou grande incompletude, com 43,5% dos registros ignorados ou em branco. Goiás concentrou a maior proporção de casos (37,6%), depois Mato Grosso (26,8%), Distrito Federal (20,8%) e Mato Grosso do Sul (14,8%). A taxa regional oscilou de 21,03 casos por 100.000 idosos em 2015 para 20,42 em 2023, com redução acentuada em 2020. A análise do Joinpoint não reconheceu tendência relevante, com APC de -1,61% ao ano (IC95%: - 7,88 a 5,12; p=0,571), o que revela comportamento estacionário. Conclusão: A hepatite C em idosos no Centro-Oeste demonstrou distribuição desigual entre as Unidades da Federação e estabilidade temporal da taxa de detecção durante o período investigado. Os resultados ressaltam a necessidade de ampliar mecanismos de testagem, qualificar registros de notificação e fortalecer a vinculação dos idosos diagnosticados aos serviços de cuidado e tratamento.
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