Hepatite C em idosos no centro-oeste brasileiro: perfil epidemiológico e tendência temporal das notificações entre 2015 e 2023

Autores

  • Khareen Gabrielle de Oliveira Pacheco
  • Sara Muniz Rodrigues
  • Pamela Sousa Paiano
  • Kayla Kauany Reis
  • Nicolly Bianca Vasconcelos Guimarães
  • Thrynny Cristhinny di Oliveira Bezerra
  • Júlia Oliveira Ferreira
  • Larissa Lemes da Silva
  • Thalita Sena Ribeiro Silva

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-037

Palavras-chave:

Hepatite C, idoso, epidemiologia, vigilância epidemiológica, estudos de séries temporais, Brasil

Resumo

Introdução: A hepatite C permanece como agravo relevante para a saúde pública brasileira, essencialmente em razão de sua evolução silenciosa e pelo risco de complicações hepáticas em fases avançadas. Em populações idosas, é de extrema relevância a investigação dessa patologia, tendo em vista a possibilidade de infecções antigas e diagnóstico tardio.  Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal da taxa de detecção de hepatite C em indivíduos com 60 anos ou mais que eram residentes na região Centro-Oeste, entre 2015 e 2023. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e de série temporal, construído a partir de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídos casos confirmados de hepatite C em idosos residentes em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas e geográficas, bem como taxas de detecção por 100.000 idosos, as quais foram calculadas com base nas projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A tendência temporal foi avaliada por regressão Joinpoint. Resultados: Foram identificados 3.301 casos confirmados durante o período avaliado. Majoritariamente acometeu homens (58,6%), indivíduos de 60 a 69 anos (70,8%) e pessoas autodeclaradas pardas (41,7%). A variável escolaridade apresentou grande incompletude, com 43,5% dos registros ignorados ou em branco. Goiás concentrou a maior proporção de casos (37,6%), depois Mato Grosso (26,8%), Distrito Federal (20,8%) e Mato Grosso do Sul (14,8%). A taxa regional oscilou de 21,03 casos por 100.000 idosos em 2015 para 20,42 em 2023, com redução acentuada em 2020. A análise do Joinpoint não reconheceu tendência relevante, com APC de -1,61% ao ano (IC95%: - 7,88 a 5,12; p=0,571), o que revela comportamento estacionário. Conclusão: A hepatite C em idosos no Centro-Oeste demonstrou distribuição desigual entre as Unidades da Federação e estabilidade temporal da taxa de detecção durante o período investigado. Os resultados ressaltam a necessidade de ampliar mecanismos de testagem, qualificar registros de notificação e fortalecer a vinculação dos idosos diagnosticados aos serviços de cuidado e tratamento.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação — SINAN/TabNet: hepatites virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s. d.]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025. Número especial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2025/boletim-epidemiologico-de-hepatites-virais.pdf. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024a. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/hepatites/pcdt-da-hepatite-c/view. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Relatório de Monitoramento Clínico das Hepatites B e C 2023. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024b. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2024/relatorio-de-monitoramento-clinico-das-hepatites-b-e-c-2023.pdf. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRITO, Rodrigo José Videres Cordeiro de et al. A time series analysis of detection and mortality of hepatitis C in Brazil, 2008–2018. BMC Infectious Diseases, London, v. 22, n. 81, 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s12879-022-07063-5. Disponível em: https://bmcinfectdis.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12879-022-07063-5. Acesso em: 5 jun. 2026.

CARMO, Rodrigo Feliciano do; SOUZA, Carlos Dornels Freire de. Impact of the COVID-19 pandemic on hepatitis C diagnosis in Brazil: is the global hepatitis C elimination strategy at risk? Journal of Hepatology, Amsterdam, v. 76, n. 2, p. 470-472, 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jhep.2021.08.005. Disponível em: https://www.journal-of-hepatology.eu/article/S0168-8278(21)01999-1/fulltext. Acesso em: 5 jun. 2026.

CARVALHO-LOURO, Daniela Mariano et al. Hepatitis C screening, diagnosis, and cascade of care among people aged > 40 years in Brasília, Brazil. BMC Infectious Diseases, London, v. 20, n. 114, 2020. DOI: https://doi.org/10.1186/s12879-020-4809-2. Disponível em: https://bmcinfectdis.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12879-020-4809-2. Acesso em: 5 jun. 2026.

HYPPOLITO, Elodie Bomfim et al. Temporal trends and spatial patterns of hepatitis C-related mortality in Brazil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 59, e1, 2025. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2025059006139. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/FtqMmr7jqDbWT8nPGwjKP3M/. Acesso em: 5 jun. 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: população por idade e sexo: pessoas de 60 anos ou mais de idade. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demografico-2022.html. Acesso em: 5 jun. 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo e idade: 2000–2070: edição 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html. Acesso em: 5 jun. 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. Joinpoint Regression Program. Bethesda: National Cancer Institute, 2024. Disponível em: https://surveillance.cancer.gov/joinpoint/. Acesso em: 5 jun. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global hepatitis report 2024: action for access in low- and middle-income countries. Geneva: World Health Organization, 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240091672. Acesso em: 5 jun. 2026.

Downloads

Publicado

2026-07-14

Como Citar

Pacheco, K. G. de O., Rodrigues, S. M., Paiano, P. S., Reis, K. K., Guimarães, N. B. V., Bezerra, T. C. di O., Ferreira, J. O., Silva, L. L. da, & Silva, T. S. R. (2026). Hepatite C em idosos no centro-oeste brasileiro: perfil epidemiológico e tendência temporal das notificações entre 2015 e 2023. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(3), e88275. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-037

Edição

Seção

Artigos originais