Teoria Freudo-Clariceana do inconsciente: uma psicanálise do indizível entre literatura, clínica e educação
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-324Palavras-chave:
inconsciente, indizível, psicanálise e literatura, interioridade radiante Marques, escuta sustentadora, educação e subjetividadeResumo
Neste trabalho, apresento a formulação e a aplicação da Teoria Freudo-Clariceana do Inconsciente, uma proposta teórica original que articula a metapsicologia de Sigmund Freud com a obra de Clarice Lispector, compreendendo a literatura não apenas como expressão artística, mas como forma rigorosa de investigação do psiquismo e do conhecimento humano. A pesquisa nasceu da constatação, tanto na prática clínica quanto na reflexão sobre a formação humana, de que existem experiências, afetos e saberes que antecedem a palavra e resistem à simbolização imediata — território que denomino indizível.
Se para Freud o inconsciente se manifesta como recalcamento e conflito, a leitura de Clarice permite ampliar essa visão: o inconsciente também se revela como experiência, luz interna e verdade que se apresenta antes da compreensão conceitual. Formulei o conceito de Interioridade Radiante Marques para designar esse estado limítrofe, onde o sujeito acessa camadas profundas de si mesmo não por interpretação, mas por vivência. Desenvolvi também a noção de Escuta Sustentadora, postura que se aplica tanto na clínica quanto na educação: acolher e sustentar o que ainda não pode ser dito, sem pressa de nomear ou explicar.
Este artigo mostra como essa articulação entre psicanálise e arte oferece ferramentas valiosas também para a educação: ensinar e aprender são processos que lidam com o que está em formação, com o que ainda não se sabe dizer, com a subjetividade em construção. A teoria aqui apresentada inaugura um campo interdisciplinar, onde literatura e conhecimento caminham juntos, oferecendo uma escuta mais sensível e ampla para a complexidade humana.
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