Hanseníase no interior de Goiás (2010–2021): estudo do perfil clínico e epidemiológico em município de alta incidência
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-243Palavras-chave:
hanseníase, epidemiologia, saúde pública, doenças negligenciadas, vigilância epidemiológicaResumo
A hanseníase permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em municípios do interior com elevada endemicidade e persistência da transmissão da doença. Nesse contexto, objetivou-se analisar o perfil clínico e epidemiológico da hanseníase no município de Jussara, Goiás, Brasil, no período de 2010 a 2021. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, transversal, descritivo e de abordagem quantitativa, desenvolvido a partir de dados secundários obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram analisadas variáveis sociodemográficas e clínicas, incluindo sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, forma clínica e classificação operacional dos casos. Além disso, realizou-se análise temporal dos coeficientes anuais de detecção da doença no município. Durante o período estudado, foram notificados 475 casos novos de hanseníase, com taxa média anual acumulada de 20,84 casos por 10.000 habitantes, posicionando Jussara entre os municípios de maior incidência no estado de Goiás. Observou-se predominância de casos em indivíduos do sexo masculino, adultos economicamente ativos, pardos e com baixa escolaridade. No perfil clínico, destacaram-se as formas dimorfa e multibacilar, sugerindo persistência da transmissão e possível diagnóstico tardio da doença no município. Conclui-se que a hanseníase permanece como relevante desafio de saúde pública em Jussara-GO, reforçando a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e educação em saúde.
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