Retinopatia diabética: importância do rastreio precoce na atenção primária à saúde
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-180Palavras-chave:
retinopatia diabética, atenção primária à saúde, rastreamento, diabetes mellitus, cegueira, prevençãoResumo
Introdução: A retinopatia diabética (RD) constitui uma das principais complicações microvasculares do diabetes mellitus (DM) e representa a causa mais frequente de cegueira adquirida em adultos em idade produtiva nos países em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que mais de 16 milhões de indivíduos sejam portadores de DM, sendo parcela significativa atendida exclusivamente na atenção primária à saúde (APS). Objetivo: Discutir a relevância do rastreio precoce da retinopatia diabética no contexto da APS, abordando epidemiologia, fisiopatologia, classificação, métodos de rastreio disponíveis, barreiras de acesso e o papel estratégico do médico de família e comunidade. Desenvolvimento: A RD é assintomática em seus estágios iniciais, tornando o rastreio sistemático indispensável. A oftalmoscopia indireta e a retinografia não midriática são os métodos mais utilizados; esta última tem mostrado viabilidade crescente em unidades básicas de saúde (UBS) e através de telemedicina. As diretrizes nacionais e internacionais recomendam rastreio anual para todos os portadores de DM tipo 2 ao diagnóstico e para DM tipo 1 a partir de cinco anos de doença. O controle glicêmico, pressórico e lipídico são pilares do manejo integrado. Conclusão: A incorporação de estratégias de rastreio na APS é custo-efetiva e capaz de reduzir substancialmente a progressão para cegueira. Investimentos em capacitação, equipamentos e sistemas de referência são essenciais para a implementação efetiva dessas ações no Sistema Único de Saúde.
Referências
International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas. 10th ed. Brussels: IDF; 2021.
Yau JW, Rogers SL, Kawasaki R, Lamoureux EL, Kowalski JW, Bek T, et al. Global prevalence and major risk factors of diabetic retinopathy. Diabetes Care. 2012;35(3):556-64.
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2023-2024. São Paulo: SBD; 2024.
Wilkinson CP, Ferris FL 3rd, Klein RE, Lee PP, Agardh CD, Davis M, et al. Proposed international clinical diabetic retinopathy and diabetic macular edema disease severity scales. Ophthalmology. 2003;110(9):1677-82.
The Diabetes Control and Complications Trial Research Group. The effect of intensive treatment of diabetes on the development and progression of long-term complications in insulin-dependent diabetes mellitus. N Engl J Med. 1993;329(14):977-86.
UK Prospective Diabetes Study (UKPDS) Group. Intensive blood-glucose control with sulphonylureas or insulin compared with conventional treatment and risk of complications in patients with type 2 diabetes (UKPDS 33). Lancet. 1998;352(9131):837-53.
ACCORD Study Group; ACCORD Eye Study Group. Effects of medical therapies on retinopathy progression in type 2 diabetes. N Engl J Med. 2010;363(3):233-44.
Ministério da Saúde (Brasil). Cadernos de Atenção Básica, n.º 36: Diabetes Mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
Abramoff MD, Lavin PT, Birch M, Shah N, Folk JC. Pivotal trial of an autonomous AI-based diagnostic system for detection of diabetic retinopathy in primary care offices. NPJ Digit Med. 2018;1:39.
Mansberger SL, Sheppler C, Barker G, Gardiner SK, Demirel S, Wooten K, et al. Long-term comparative effectiveness of telemedicine in providing diabetic retinopathy screening examinations: a randomized clinical trial. JAMA Ophthalmol. 2015;133(5):518-25.
Scanlon PH. The English national screening programme for diabetic retinopathy 2003-2016. Acta Diabetol. 2017;54(6):515-25.
Ting DSW, Cheung CY, Lim G, Tan GSW, Quang ND, Gan A, et al. Development and validation of a deep learning system for diabetic retinopathy and related eye diseases using retinal images from multiethnic populations with diabetes. JAMA. 2017;318(22):2211-23.
Klein R, Klein BE, Moss SE, Davis MD, DeMets DL. The Wisconsin epidemiologic study of diabetic retinopathy. III. Prevalence and risk of diabetic retinopathy when age at diagnosis is 30 or more years. Arch Ophthalmol. 1984;102(4):527-32.
Fong DS, Aiello LP, Ferris FL 3rd, Klein R. Diabetic retinopathy. Diabetes Care. 2004;27(10):2540-53.
Cheung N, Mitchell P, Wong TY. Diabetic retinopathy. Lancet. 2010;376(9735):124-36.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.