“Fazer pano de prato é bom, mas viver é muito melhor”: sentidos do trabalho para mulheres artesãs na economia solidária
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-116Palavras-chave:
dimensão geradora de vida, fonte de renda e autonomia econômica, sociabilidade e pertencimento, resistência e afirmação identitáriaResumo
Considerando a histórica invisibilização e desvalorização do trabalho das mulheres, este artigo, caracterizado como um estudo de caso, objetiva analisar a experiência de mulheres artesãs na Cooperativa de Confecções e Artes (COONARTE), localizada no município de Belo Horizonte, Minas Gerais, um empreendimento de Economia Solidária formado majoritariamente por artesãs que, há 23 anos, realiza ações de formação direcionadas às cooperadas e à comunidade. Por meio de pesquisa qualitativa, análise documental e observação participante, buscou-se problematizar a temática da invisibilização e desvalorização do trabalho feminino, à luz das correntes teóricas da Economia Solidária e da Economia Feminista, a partir do empreendimento protagonizado por mulheres. Realizou-se a análise de conteúdo dos dados, com ênfase na identificação de categorias analíticas relacionadas aos sentidos do trabalho, especialmente com olhar para as diferenças entre produtivo e reprodutivo. Desse modo, observa-se que o trabalho artesanal transcende a mera fabricação de produtos, materializando processos complexos, frequentemente desqualificados, que configuram forma de resistência que articula geração de renda em contextos de vulnerabilidade, ocupação territorial, fortalecimento de vínculos comunitários e transmissão intergeracional de saberes. Os resultados permitem concluir que esses espaços coletivos e formativos são estratégicos para a articulação política das mulheres, reconfigurando os sentidos do trabalho produtivo e reprodutivo e para o fortalecimento da Economia Solidária.
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