Análise comparativa de macro e micronutrientes entre plantas alimentícias não convencionais e hortaliças comerciais
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-115Palavras-chave:
plantas alimentícias não convencionais, hortaliças, análise nutricionalResumo
Existe escassez de pesquisas sobre a composição nutricional das plantas alimentícias não convencionais (PANC) e seus benefícios para o organismo, fazendo com que a população deixe de consumi-las ou consuma sem ter total consciência do que está ingerindo. Vale salientar que muitas plantas alimentícias não convencionais possuem mais nutrientes que hortaliças comerciais, visto que quanto mais silvestre é a espécie, menos agrotóxicos requer e melhor é o aproveitamento de nutrientes do solo. Dessa forma, a pesquisa objetivou realizar a análise comparativa entre o teor nutricional da matéria seca de plantas alimentícias não convencionais e de hortaliças comerciais encontradas na literatura. As PANC dente de leão (Taraxacum officinale), major gomes (Talinum paniculatum), capuchinha (Tropaeolum majus) e alface selvagem (Lactuca serriolla) foram coletadas na zona urbana de Santana do Livramento para posterior secagem e obtenção de matéria seca para determinação do teor de macro e micronutrientes minerais nos tecidos foliares. Os resultados foram comparados com teores de nutrientes de hortaliças comerciais encontrados na literatura, sendo alface (Lactuca sativa) (variedades crespa, americana e mimosa), rúcula (Eruca vesicaria), repolho (Brassica oleracea var. capitata) e couve manteiga (Brassica oleracea var. acephala). Os resultados na análise de macro e micronutrientes da matéria seca das PANC em comparação com as hortaliças comerciais demonstraram que o dente de leão se destacou quanto ao teor de boro (25,00 mg/kg), cobre (13,50 mg/kg), ferro (992,5 mg/kg), a capuchinha apresentou maior concentração de nitrogênio (4,21%) e fósforo (0,57%), o major gomes se sobressaiu nas médias de potássio (5,92%), cálcio (2%), magnésio (Mg) (2,05%) e manganês (Mn) (181 mg/kg) e a alface selvagem apresentou teor de matéria seca superior as demais PANC referente ao elemento zinco (149,85 mg/kg).
Referências
AGROPRO. Funções do cálcio na planta. Disponível em:< http://blog.agropro.com.br/funcoes-do-calcio-na-planta/>. Acesso em: 21 out. 2019.
ALETOR, V. A. et al. Chemical composition of common leafy vegetables and functional properties of their leaf protein concentrates. Food Chemistry, v. 78, n. 1, p. 63-68, 2002.
ALEXANDRE, E. C. F. et al. Composição mineral e bromatológica de talinum triangulare (jacq.) willd cultivada sob sombreamento. Revista Brasileira de Agropecuária Sustentável, v.8, n.2, p.40-51, Jun 2018. Disponível em: < https://www.rbas.ufv.br/index.php/rbas/article/view/491/pdf>. Acesso em: 15 março. 2019.
ANDRADE, J. C. M. et al. Fitoremediação: o uso de plantas na melhoria da qualidade ambiental. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. 176 p.
ARAVENA, J. Crecimiento y calidad de plantines de lechuga (Lactuca sativa L.), según tipo de fertilización y tamaño de celda utilizado en almácigo. Universidad Nacional de Luján. 2018. Disponivel em:< https://ri.unlu.edu.ar/xmlui/handle/r>. Acesso em: 12 abril 2019.
BLEVINS, D. G.; LUKASZEWSKI, K. M. Boron plant structure and function. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology, Palo Alto, v.49, p.481-500, 1998.
BOOTH, S. et al. Nutrient content of selected indigenous leafy vegetables consumed by the Kekchi people of Alta Verapaz, Guatemala. Journal of Food Composition and Analysis, v. 5, n. 1, p. 25-34, 1992.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. Hortaliças não convencionais: (tradicionais) – Brasília: MAPA/ACS. 2010.
CARREIRO, Juliana. Pesquisas de mercado apontam maior preocupação com alimentação saudável. 2017. Disponivel em:< https://emais.estadao.com.br/blogs/comida-de-verdade/pesquisas-de-mercado-apontam-maior-preocupacao-com-alimentacao-saudavel/>. Acesso em: 28 set. 2019.
CHAVES, E. V. Absorção de metais pesados de solos contaminados do aterro sanitário e pólo industrial de manaus pelas espécies de planta Senna multijuga, Schizolobium amazonicum e Caesalpinia echinata. 2008, 87 f. Tese (Doutorado em Biotecnologia) - Universidade Federal do Amazonas. Faculdade de Biotecnologia. Curso multidisciplinar de Pós-Graduação em Biotecnologia, Manaus, 2008. Disponível em: < https://tede.ufam.edu.br/bitstream/tede/3107/1/Tese%20Edson%20Valente. Acesso em: 10 maio. 2019.
CUNHA, K. P. V. et al. Disponibilidade, acúmulo e toxidez de cádmio e zinco em milho cultivado em solo contaminado. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 32, p.1319-1328, 2008.
DUARTE, G. R. B. O manual rápido do manejo de boro nas plantas. 2019. Disponível em: <https://blog.aegro.com.br/boro-nas-plantas/>. Acesso em: 06 junho. 2020.
FERREIRA, Cíntia. Fósforo: Benefícios, Alimentos e Sintomas da sua Deficiência no Organismo. 2017. Disponível em: <https://www.greenme.com.br/alimentarse/alimentacao/5651-fosforo-beneficios-alimentos-sintomas-deficiencia/>. Acesso em: 08 março. 2020.
FINLEY, J. W. Sex affects manganese absorption and retenhon by humans from a diet adequate in manganese. American Journal of Clinical Nutrition. v. 60, n. 6, p. 949-955. 1994.
FLYMAN, M. V.; AFOLAYAN, A. J. The suitability of wild vegetables for alleviating human dietary deficiencies. South African Journal of Botany, v. 72, n. 4, p. 492-497, 2006.
GIANNONI, J. U.; DOS SANTOS, R. C.; DE ROSSI, P. H. S.; IMAMURA, K. B.; OTOBONI, A. M. M. B.; GUIGER, E. L. Reconhecimento e difusão sobre as plantas alimentícias não convencionais – PANC. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, Curitiba, v.5, n.1, p. 450-456, jan./mar. 2022.
GONÇALVES, T. O. et al. Teor de metais em alface (Lactuca sativa L.) do tipo crespa e americana cultivadas em sistema hidropônico e convencional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOS, 25, 2016, Gramado, RS. Anais... Gramado: SBCTA Regional, 2016.
GONDIM, A. R. de O. Absorção e mobilidade do boro em plantas de tomate e de beterraba. 2009. 75 f. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal, Jaboticabal, 2009.
GUERRERO, J. L. G. et al. Mineral nutrient composition of edible wild plants. Journal of Food Composition and Analysis, v. 11, n. 4, p. 322-328, 1998.
HAAG, H. P.; MINAMI, K. Nutrição mineral de hortaliças: LXXXVI. concentração de nutrientes de alface (Lactuca sativa) c.v. grand rapids, de semeadura direta e para corte. Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, v. 45, n. 0, p. 605–612, 1988.
JONES, R. L. et al. The Molecular Life of Plants. UK: American Society of Plant Biologists and Wiley-Blackwell, 2013. 766p.
KELEN, M. E. B. et al. Plantas Alimentícias não convencionais (PANC): hortaliças espontâneas e nativas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, 2015.
KILLORN, R.; ZOURARAKIS, D. Nitrogen fertilizer management effects on corn grain yield and nitrogen uptake. Journal of Production Agriculture, v.5, n. 1, p.142-148, 1992.
KINUPP, V. F. Plantas alimentícias não-convencionais da região metropolitana de Porto Alegre, RS. 2007. Tese (Doutorado - Área de concentração em Fitotecnia) – Departamento de Horticultura e Silvicultura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.
KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil. Nova Odessa: Editora Plantarum, 2014. 768p.
KINUPP, V.F. BARROS, I.B.I.D. Riqueza de Plantas Alimentícias Não Convencionais na Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Biociências, v.5, n.1, p.63-65, 2008.
LABORSOLO. Macronutrientes: conhecendo o Nitrogênio. 2013. Disponivel em: <https://laborsolo.com.br/analise-quimica-de-solo/macronutrientes-conhecendo-o-nitrogenio>. Acesso em: 29 fev. 2020
LETERNE, P. et al. Mineral content of tropical fruits and unconventional foods of the Andes and the rain Forest of Colombia. Food Chemistry, v. 95, n. 4, p. 644-652, 2006.
MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo. Editora Agronomica Ceres. 2006. 638p.
MANHÃES, L. R. T. et al. Composição química e do conteúdo de energia do cariru (Talinum esculentum, Jacq.). Acta Amazonica, Manaus, v. 38, n. 2, p. 307-310, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672008000200013>. Acesso em: 06 nov. 2019.
MAUSETH, J. D. Botany: an introduction to plant biology. 4 ed. London: Jones and Bartlett Publishers International, 2009.
MOSAIC, equipe. A importância do magnésio para as plantas. 2019. Disponivel em: <https://www.nutricaodesafras.com.br/a-importancia-do-magnesio-para-as-plantas/>. Acesso em: 09 abr. de 2020.
NIEUWHOF, M. Cole crops: botany, cultivation and utilization. London: Leonard Hill, 1969. 353 p.
NOGUEIRA, A. R. A.; SOUZA, G. B. Manual de laboratórios: Solo, água, nutrição vegetal, nutrição animal e alimentos. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2005. 313 p.
NUNES, J. L. S. Potássio. 2016. Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/fertilizantes/potassio>. Acesso em: 08 ago.2019.
NUNES, J.L.S; GIRACCA, E.M.N. Fósforo. 2016. Disponível em: < https://www.agrolink.com.br/fertilizantes/fosforo_361445.html>. Acesso em: 22 de out. 2019.
ODHAV, B. et al. Preliminary assessment of nutritional value of traditional leafy vegetables in KwaZulu-Natal, South Africa. Journal of Food Composition and Analysis, v. 20, n. 5, p. 430-435, 2007. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com>. Acesso em: 08 abril 2020.
OLIVEIRA, M. da R.; BORSATO, A. V. Análise nutricional de hortaliças produzidas em propriedade em transição agroecológica no Assentamento 72, Ladário-MS. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE AGROECOLOGIA DA AMÉRICA DO SUL, 2.; JORNADA INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO, 1.; SEMINÁRIO DE AGROECOLOGIA DE MATO GROSSO DO SUL, 6; ENCONTRO DE PRODUTORES AGROECOLÓGICOS DE MATO GROSSO DO SUL, 5.; SEMINÁRIO DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS EM BASES AGROECOLÓGICAS DE MATO GROSSO DO SUL, 2., 2016, Dourados. Agroecologia e soberania alimentar: saberes em busca do bem viver: Anais... Dourados: UFGD, 2016. Não paginado. Agroecologia, 2016.
PIO CORREA, M. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, 1984. v.2, p. 525-526.
ROP, O. et al. Edible flowers: a new promising source of mineral elements in human nutrition. Molecules, v. 17, p. 6672-6683, 2012. Disponível em: < https://pdfs.semanticscholar.org/adc7/2912d51d08675281b4e6a0849966e298535f.pdf>. Acesso em: 06 nov. 2019.
SCHMEDA-HIRSCHMANN, G. et al. Proximate composition and free radical scavenging activity of edible fruits from the Argentina Yungas. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 85, n. 8, p. 1357-1364, 2005. Disponível em: <http://www.sciencedirectcom>. Acesso em: 10 ago. 2019.
SILVA, L. F. L. Hortaliças Não Convencionais: quantificação do DNA, Contagem Cromossômica, Caracterização Nutricional e Fitotécnica. 2018. 141 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Lavras. Programa de Pós-Graduação em Agronomia/Fitotecnia, Lavras, 2018.
SILVA, L.F. L. Hortaliças Não Convencionais: Quantificação do DNA, Contagem Cromossômica, Caracterização Nutricional e Fitotécnica. 2012.
SUNDRIYAL, M.; SUNDRIYAL, R. C. Wild edible plants of the Sikkim Himalaya: Nutritive values of selected species. Economic Botany, v. 58, n. 2, p. 286-299, 2004.
TEDESCO, M. J.; GIANELLO, C. Metodologia de análises de solo, plantas, adubos orgânicos e resíduos. In: BISSANI, C. A. et al. (Eds.). Fertilidade dos solos e manejo da adubação de culturas. Porto Alegre: Gênesis, 1995. p. 61-66.
VIEIRA, A. C. Atividade antibacteriana e características químicas e fitoquímicas de Talinum paniculatum (jacq.) gaertn. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências e Tecnologia de Alimentos) – Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/109916/000951648.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 10 março 2020.
VIEIRA, R. F. (Coord.) et al. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente. 2016). Disponível em: file:///E:/10%C2%BA%20Semestre/TCC%20II/ARTIGOS/regio%20centro-oeste-26-07-20171.pdf. Acesso em: 11 ago. 2018.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.