O papel da profilaxia farmacológica no controle da hemorragia puerperal: protocolos e perspectivas na rede de saúde de Minas Gerais
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-104Palavras-chave:
hemorragia puerperal, inércia uterina, ocitocina, ácido tranexâmico, mortalidade materna, Minas GeraisResumo
A hemorragia puerperal (HPP) permanece como a principal causa evitável de mortalidade materna no mundo, exigindo intervenções imediatas, eficazes e sistematizadas. Nesse contexto, a profilaxia farmacológica assume papel central na prevenção de desfechos fatais, especialmente diante da predominância da atonia uterina como etiologia principal. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente o impacto das estratégias farmacológicas na profilaxia da HPP e sua aplicação na rede de saúde de Minas Gerais, à luz das diretrizes nacionais e internacionais. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, incluindo estudos publicados entre 2014 e 2024, além de protocolos institucionais da Organização Mundial da Saúde, FEBRASGO e Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Os resultados evidenciam que o manejo ativo do terceiro estágio do parto, com administração rotineira de ocitocina, permanece como a intervenção de maior impacto na redução da incidência de HPP. Adicionalmente, a incorporação do ácido tranexâmico, respaldada por evidências robustas, representa um avanço decisivo na redução da mortalidade por sangramento, especialmente quando administrado precocemente. Fármacos como metilergometrina e misoprostol mantêm papel estratégico em cenários específicos, sobretudo em contextos de limitação estrutural. No cenário mineiro, a implementação de protocolos padronizados, a institucionalização do “Kit de Hemorragia” e o uso de indicadores objetivos, como o índice de choque, configuram avanços significativos na resposta assistencial. Contudo, persistem desafios relacionados à desigualdade regional, à logística de insumos e à capacitação contínua das equipes. Conclui-se que a redução sustentada da mortalidade por HPP depende da integração entre farmacologia baseada em evidências, organização dos sistemas de saúde e resposta assistencial oportuna. Mais do que disponibilidade terapêutica, a efetividade do cuidado reside na capacidade do sistema em transformar conhecimento em ação imediata, padronizada e universal.
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