Estudo das características morfométricas e da relação peso-comprimento aplicados ao dimorfismo sexual de Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824)
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n2-056Resumo
A espécie Geophagus brasiliensis é referida popularmente como Acará, Acará Topete, Papa-Terra ou simplesmente Cará e possui uma coloração bem característica, com uma grande mancha escura ovalada no flanco do corpo, nadadeiras amarelo-avermelhadas com pequenas manchas claras. Na América do Sul a espécie ocorre em ambientes dulcícolas lênticos e lóticos, em bacias hidrográficas que se estendem do Nordeste ao Sul do Brasil, além de bacias hidrográficas do Uruguai. Devido à grande tolerância de variação de habitats, esta espécie apresenta grande capacidade invasiva, ocorrendo desde ambientes dulcícolas até ambientes estuarinos, já tendo sido relatada a presença da espécie na Argentina, Paraguai, EUA, Austrália, China, Filipinas e Taiwan. A espécie apresenta interesse comercial para pesca e tem bom potencial para aquariofilia. Os dados disponíveis na literatura sobre sua reprodução são bastante conflitantes. Particularmente o dimorfismo sexual é confuso e não se apresenta completamente esclarecido para a espécie. Note-se que o conhecimento do dimorfismo sexual da espécie é fundamental para o cultivo em cativeiro da espécie, bem como para seu manejo. Neste trabalho, coletamos e identificamos 48 exemplares de Geophagus brasiliensis, que foram submetidos à coleta de dados morfométricos e à análise microscópica das gônadas, para confirmar o diagnóstico macroscópico do sexo. Os dados foram submetidos à análise estatística (testes de normalidade, teste t de Student, box-plot, dentre outros), que nos permitiu obter a equação da relação peso-comprimento da espécie Pt = 0,0348Cp2,995 (R2 = 0,99), já que não houve diferença significativa entre os pesos e comprimentos entre machos e fêmeas, embora os machos tenham apresentado valores de comprimento padrão e peso total maiores que as fêmeas. Também foi possível constatar diferenças morfométricas entre machos e fêmeas a partir dos 60mm de comprimento. Particularmente nas medidas de nadadeira caudal e de diâmetro orbital, sendo ambas de dimensões proporcionais maiores em fêmeas do que em machos. Note-se que apenas para o diâmetro orbital encontramos diferenças significativas entre machos e fêmeas pelos testes realizados (t=3,4839; p=0,0015). Contudo, todas essas informações combinadas podem auxiliar na separação de machos e fêmeas de Geophagus brasiliensis destinados à reprodução.
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