Saneamento de unidade epidemiológica de peste suína clássica no município de Moraújo, Ceará
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-262Palavras-chave:
doença, suíno, vírusResumo
A peste suína clássica (PSC), também conhecida como cólera porco, é uma doença viral contagiosa de suínos domésticos e selvagens. É causada por um vírus do gênero Pestivirus da família Flaviviridae. O método mais comum de transmissão é através do contato direto entre suínos saudáveis e aqueles infectados com o vírus do PSC. O vírus PSC pode sobreviver em carne de porco e produtos de carne de porco processados por meses quando a carne é refrigerada e durante anos quando é congelada. Os porcos podem ser infectados comendo carne de porco infectada com o vírus ou seus produtos. Aplicar profilaxia sanitária rigorosa e rigorosa e rigorosa, e medidas de higiene que protegem os porcos domésticos do contato com javalis são as medidas mais eficazes para prevenir a doença. Quando ocorre um surto, o abate de todos os suínos nas explorações afetadas com eliminação segura de carcaças, camas, etc., bem como a vigilância da zona infectada e áreas circundantes. Em áreas onde a doença é endêmica, a vacinação pode prevenir a propagação da doença. Em áreas livres de doenças, uma política de erradicação é aplicada consistindo em detecção precoce, controle de movimento, descarte adequado de carcaças e limpeza e desinfecção. A suinocultura brasileira apresenta boa situação sanitária e ela é evidenciada pelos índices produtivos alcançados por seus rebanhos tecnificados, que são semelhantes aos de outros países, onde a atividade também é desenvolvida. No estado do Ceará ocorrem vários tipos de criações de suíno, tanto aquelas tecnificadas, alcançando bons índices zootécnicos, como aquelas de subsistência, ou findo de quintal, estando inserido na área que está em processo de erradicação da Peste Suína Clássica – PSC, onde vinha, há muito tempo, sem notificações de casos de PSC, quando em 2018 foram diagnosticados casos através da vigilância passiva, quando o produtor informa ao serviço veterinário oficial, animais suspeitos com sintomas da doença. Neste trabalho está relatado o atendimento a um desses focos de uma unidade epidemiológica e onde foram diagnosticados, após a primeira investigação encontrando animais com a sintomatologia clássica da doença, a saber, febre, mortalidade alta, secreção ocular e nasal, procedeu-se a coleta de sangue e órgão para análises laboratoriais numa unidade ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA. Durante a investigação, a equipe verificou que se tratavem de vários produtores que criavam seus animais de maneira extensiva, soltos, sem nenhuma contensão, controle sanitário ou alimentar, os quais tinham contato direto durante o dia numa coleção de água, um pequeno açude, próximo às residências. Com laudo laboratorial positivo em mãos, procedeu-se a eutanásia de 191 animais, de acordo com o plano de contingência para PSC elaborado e divulgado pelo MAPA, onde todos estes produtores foram indenizados pelos fundos emergenciais estadual e federal, conforme preconiza a legislação.
Referências
ABPA. Associação Brasileira de Proteína Animal. Relatório Anual 2023. Disponível em: https://abpa-br.org/wp-ontent/uploads/2023/04/Relatorio-Anual-2023.pdf Acesso em: 18 de março 2026
Alves, C. P., Eugênio, D. da S., Souza, L. F. de, Santos, J. P. A. de S., Silva, J. O. N. da, Silva, A. R., Santos, T. S. dos, & Silva, T. G. F. da. (2020). Influência da temperatura e umidade relativa do ar no consumo alimentar de suínos no semiárido brasileiro / Influence of temperature and relative humidity in food consumption of swine in the Brazilian semiarid region. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 3(4), 4263–4269. https://doi.org/10.34188/bjaerv3n4-122
BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Certificação de granjas de reprodutores suínos . 2016. Disponível em: < http://www.agricultura.gov.br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/cartas-de-servico/defesa-agropecuaria-saude-animal/certificacao-de-granjas-de-reprodutores-suinos>. Acesso em: 05 abr. 2019.
MAPA. Plano Estratégico Brasil Livre de PSC 2019–2026. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/sanidade-suidea/arquivos-suideos/plano_brasil_livre_de_psc_v2.pdf
MAPA. Manual de vigilância para PSC (2023). Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/sanidade-suidea/arquivos-suideos/PlanoIntegradodeVigilanciaPNSS2edicao.pdf
WOAH/OMSA. Terrestrial Animal Health Code (2022–2024) Disponível em: https://www.woah.org/en/what-we-do/standards/codes-and-manuals/
S. Blome, C. Staubach, J. Henke, J. Carlson, M. Beer. Classical swine fever—an updated review Viruses. (2017), DOI:10.3390/v9040086
A. Postel, S. Austermann-Busch, A. Petrov, V. Moennig, P. Becher Epidemiology, diagnosis and control of classical swine fever: recent developments and future challenges Transbound. Emerg. Dis., 65 (2018), pp. 248-261, DOI: 10.1111/tbed.12676
Ganges L, Crooke H.R, Bohórquez J.A, Postel A, Sakoda Y, Becher P, Ruggli N. Classical swine fever virus: the past, present and future. Virus Res. 2020;289(1):198151. doi: 10.1016/j.virusres.2020.198151.
BORGES, S.R.T.; SOUZA, L.C. de; SILVA, R.C. da; ALMEIDA, E. de. Avaliação dos níveis de biosseguridade das granjas de reprodutores suínos certificadas do estado de São Paulo, Brasil. Veterinária e Zootecnia, v.18, p.417 431, 2011.
DUARTE, A. C. S.; FREITAS, T. R. P.; BARRIOS, P. R. Ocorrência de Peste Suína Clássica Crônica em Suínos no Rio Grande do Norte. Revista Centauro, v.3, n.1, p07-23, 2012
CLASSICAL Swine Fever. Iowa: The Center for Food Security and Public Health, 2007. Disponível em: http://www.cfsph.iastate.edu/Factsheets/pdfs/classical_swine_fever.pdf . Acessado em: 27 mar. 2019.
FREITAS, T. R. P., CALDAS, L. A., ESPÍRITO SANTO, M. P., MENESES, M. D. F. Conceitos Básicos, Métodos e Técnicas em laboratório de Virologia Animal. Pedro Leopoldo: Gráfica e Editora Tavares, 2006. 176p.
Kich J.D., Coldebella A., Morés N., Nogueira M.G., Cardoso M., Fratamico P.M., Call J.E., Fedorka-Cray P. & Luchansky J.B. 2011. Prevalence, dis¬tribution and molecular characterization of Salmonella recovered from swine finishing herds and a slaughter facility in Santa Catarina, Brazil. Int. J. Food. Microbiol. 151:307-313.
LYRA, T.M.P. La erradicación de la peste porcina africana en el Brasil, 1978–1984. Revue Scientifique et Technique/ Office International des Épizooties, v.25, p.93 103, 2006.
MITTELHOLZER,C.; MOSER, C.; TRATSCHIN, J-D.; HOFMANN, M.A. Analysis of classical swine fever virus replication kinetics allows differentiation of highly virulent from avirulent strains. Vet. Microb., v. 74, p. 293- 308, 2000.
MOENNIG, V., PLAGEMANN, G.W. The Pestiviruses. Adv. Virus Res; v. 41, p. 53-98. 1992.
OIE, Manual of standards for diagnostic tests and vaccines. Paris: Office International des Epizooties, Cap.2.1.13. 2008.
OLIVEIRA, L.G. de; OLIVEIRA, M.E.F.; ALMEIDA, H.M. de S.; GATTO, I.R.H.; SAMARA, S.I. Os desafios da doença de Aujeszky em suínos para a defesa sanitária animal. Veterinária e Zootecnia, v.21, p.370 381, 2014.
SALGADO, R.L.; PEREIRA, P.M.; GONZAGA, N.F.; SOUZA, L.F.L. de; POLÊTO, M.D.; ONOFRE, T.S.; ELLER, M.R.; PEREIRA, C.E.R.; FIETTO, J.L.R.; BRESSAN, G.C.; GUEDES, R.M.C.; ALMEIDA, M.R.; SILVA JÚNIOR, A. A porcine circovirus 2 mutant isolated in Brazil contains low frequency substitutions in regions of immunoprotective epitopes in the capsid protein. Archives of Virology, v.160, p.2741 2748, 2015. DOI: 10.1007/s00705 015 2567 z.
THIEL, H.-J.; STARK, R.; WEILAND, E.; RUMENAPF, T.; MEYERS, G. Hog cholera virus: molecular composition of virions from a Pestivirus. J. Virol., v. 65, p. 4705–4712. 1991.
OIE. WORLD ORGANISATION FOR ANIMAL HEALTH. WAHIS interface: weekly disease information. 2016. Available at: . Accessed on: 18 Feb. 2016.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.