Ouvintismo estrutural e desigualdade linguística: uma análise crítica das epistemologias surdas nos discursos de saúde e meio ambiente
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-233Palavras-chave:
ouvintismo estrutural, linguagem, epistemologias surdas, desigualdade linguística, saúde e meio ambienteResumo
Este artigo propõe uma análise teórico-crítica do ouvintismo estrutural como regime de poder que atravessa a linguagem, a produção do conhecimento e o acesso à informação em contextos de saúde e meio ambiente. Ancorado na Análise do Discurso Crítica, na filosofia da diferença e nos estudos surdos, o trabalho problematiza a centralidade das línguas orais como dispositivos de normatização e exclusão, evidenciando como sujeitos surdos são historicamente posicionados em regimes de déficit. Argumenta-se que a desigualdade linguística não é apenas uma questão de acesso comunicacional, mas um efeito de estruturas epistemológicas que hierarquizam modos de existência e produção de sentido. Ao tensionar a invisibilização da Libras em práticas institucionais e científicas, o artigo defende a necessidade de uma virada epistemológica que reconheça as línguas de sinais como formas legítimas de conhecimento, especialmente em áreas estratégicas como a saúde pública e a educação ambiental. Conclui-se que o enfrentamento do ouvintismo estrutural demanda não apenas políticas de inclusão, mas uma reconfiguração profunda dos regimes de linguagem que sustentam a produção da normalidade.
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