Modelos de semiliberdade na conservação ex situ de primatas de Cebidae e Aotidae em Parque Zoobotânico do Nordeste do Brasil

Autores

  • Francielly Carvalho Meneses de Almeida
  • Lorran André Moraes
  • Íthalo da Silva Castro
  • Simone Mousinho Freire

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-217

Palavras-chave:

animais silvestres, conservação da fauna, manejo em cativeiro, primatas em cativeiro, recintos, semiliberdade, zoológicos

Resumo

O manejo de primatas em cativeiro com foco em conservação ex situ é essencial para a preservação de espécies e para a manutenção de comportamentos naturais. Este estudo avaliou os modelos de conservação ex situ adotados para primatas das famílias Aotidae e Cebidae, mantidos em um sistema de ilhas artificiais no Parque Zoobotânico de Teresina, Piauí, Nordeste do Brasil. Foi conduzido um estudo observacional, descritivo e exploratório, caracterizado como estudo de caso institucional com abordagem multimétodos, integrando análise documental, observação direta e informações técnicas da equipe do parque. A amostra incluiu 26 indivíduos pertencentes a Sapajus, Aotus e Saimiri, distribuídos em recintos de ilhas naturalizadas. Foram analisados aspectos estruturais dos recintos, práticas de manejo, alimentação, saúde, reprodução, enriquecimento ambiental e a conformidade com a Instrução Normativa nº 07/2015. Os resultados indicam que mais de 90% dos indivíduos provêm de apreensões do IBAMA e que, de modo geral, os recintos atendem aos requisitos normativos mínimos quanto à área, ao substrato e à oferta de estruturas tridimensionais. A organização dos indivíduos em unidades sociais independentes e a configuração espacial ampliada favoreceram a expressão de comportamentos naturais, incluindo uso de ferramentas em Sapajus, locomoção bípede, cuidado parental, além de redução de interações agonísticas, conforme registros observacionais e relatos técnicos. Foram registrados eventos reprodutivos no período analisado, sugerindo adequação das condições sanitárias e nutricionais. Apesar da conformidade estrutural e dos avanços no manejo, limitações técnicas e legais ainda restringem ações de reintrodução. Conclui-se que o modelo de ilhas naturalizadas constitui estratégia promissora de conservação ex situ, ao integrar requisitos normativos, complexidade ambiental e práticas de manejo alinhadas aos princípios contemporâneos de bem-estar animal, podendo servir como referência para instituições zoológicas regionais e programas de conservação.

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Publicado

2026-03-30

Como Citar

Almeida, F. C. M. de, Moraes, L. A., Castro, Íthalo da S., & Freire, S. M. (2026). Modelos de semiliberdade na conservação ex situ de primatas de Cebidae e Aotidae em Parque Zoobotânico do Nordeste do Brasil. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(1), e86416. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-217

Edição

Seção

Artigos originais