Educação ou deslocamento? As contradições do direito escolar na experiência de famílias indígenas Mura
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-135Palavras-chave:
migração educacional, identidade cultural, educação indígena, território, resistência MuraResumo
O presente estudo analisa a migração educacional do povo Mura da Aldeia Makira, às margens do Rio Urubu (AM), investigando como a precariedade do sistema escolar impulsiona o deslocamento para centros urbanos como Itacoatiara e Manaus, afetando a identidade cultural e o pertencimento. Baseado na Geografia da Educação e na Geografia Cultural, utiliza abordagem qualitativa com entrevistas semiestruturadas e observação participante junto a doze famílias, realizadas em julho de 2025. O referencial teórico-metodológico integra autores como Santos, Raffestin, Hall e Massey, conceituando território como espaço vivido e identidade como processo dinâmico, aliado ao Decreto nº 6.861/2009 para educação intercultural. Resultados mostram que 75% das migrações são motivadas pela falta de escolas adequadas, ensino multisseriado e ausência de conteúdos interculturais, configurando a educação como fator de deslocamento forçado. Isso provoca rupturas com práticas tradicionais e enfraquecimento identitário, embora retornos de educadores formados indiquem resistência e reterritorialização. Conclui-se que políticas públicas, como formação de professores indígenas e currículos bilíngues, são cruciais para transformar a escola em espaço de permanência cultural na Amazônia.
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