Estudo de área de transmissão da esquistossomose e reflexões sobre a importância do registro de casos na vigilância epidemiológica
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-126Palavras-chave:
esquistossomose, vigilância epidemiológica, sistema de informação de agravos de notificação (SINAN), saúde públicaResumo
A esquistossomose é uma doença infecto-parasitária negligenciada, fortemente associada a condições socioambientais precárias, cuja vigilância epidemiológica depende diretamente da qualidade dos sistemas de informação em saúde. Este estudo teve como objetivo analisar os casos positivos de esquistossomose registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no distrito de Santa Clara, município de Porciúncula, Rio de Janeiro, entre janeiro de 2017 e dezembro de 2022, enfatizando a problemática dos registros e suas implicações para a vigilância epidemiológica. Trata-se de uma pesquisa descritiva retrospectiva, de abordagem quantitativa, baseada em dados secundários do SINAN. Foram analisados 120 casos notificados, todos autóctones, com predominância entre homens, agricultores e indivíduos jovens e adultos, evidenciando a persistência da transmissão em área rural endêmica. Observou- se atraso expressivo entre o diagnóstico e a notificação dos casos, bem como elevada incompletude no preenchimento das fichas, especialmente em campos essenciais como escolaridade, raça, local provável de infecção, relação com o trabalho e evolução clínica. A ausência ou precariedade dessas informações compromete a identificação de focos de transmissão, a análise do perfil epidemiológico e a implementação de ações oportunas de controle e prevenção. Embora todos os pacientes tenham sido tratados, a falta de registros sobre forma clínica e cura limita a avaliação da efetividade das ações de saúde. Conclui-se que, além de confirmar a endemicidade da esquistossomose no distrito estudado, o trabalho evidencia que falhas no registro e na tempestividade das notificações no SINAN fragilizam a vigilância epidemiológica, o planejamento de políticas públicas e a tomada de decisão em saúde, ressaltando a necessidade de qualificação profissional e fortalecimento dos sistemas de informação.
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