Manejo neonatal em reabilitação de fauna silvestre: amamentação interespecífica de filhotes de raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus) por cadela doméstica (Canis lupus familiaris)
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-039Palavras-chave:
reabilitação de fauna, manejo neonatal, amamentação interespecífica, canídeos silvestres, Lycalopex vetulusResumo
O manejo neonatal de mamíferos silvestres órfãos representa um desafio significativo para programas de reabilitação de fauna, especialmente em espécies altriciais, como os canídeos. A raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus), espécie endêmica do Cerrado brasileiro, classificada como Quase Ameaçada em âmbito global e Vulnerável no contexto nacional, é frequentemente encaminhada a centros de reabilitação na forma de filhotes neonatais, demandando estratégias eficazes de cuidado que minimizem a mortalidade e favoreçam o desenvolvimento adequado. O presente estudo teve como objetivo descrever e avaliar a utilização de uma cadela doméstica (Canis lupus familiaris) como mãe substituta na amamentação de filhotes neonatais de raposinha-do-campo, em contexto de reabilitação de fauna silvestre. Os filhotes foram introduzidos à fêmea lactante sob manejo controlado, com monitoramento comportamental e fisiológico contínuo. Observou-se aceitação materna, estabelecimento de amamentação regular e desenvolvimento neonatal compatível com padrões esperados para a espécie, sem intercorrências clínicas relevantes. A amamentação interespecífica mostrou-se uma alternativa viável à alimentação artificial, ao proporcionar nutrição biologicamente adequada, estímulos maternos naturais e redução de riscos associados ao manejo artificial. Conclui-se que a utilização de cadela doméstica como mãe substituta constitui uma ferramenta promissora e complementar para o manejo neonatal de canídeos silvestres em programas de reabilitação, desde que aplicada de forma criteriosa e respaldada por monitoramento técnico e sanitário adequado.
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