Validação do índice SPEI frente aos prejuízos agropecuários associados a eventos extremos úmidos em Santa Catarina
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-033Palavras-chave:
SPEI, chuvas intensas, alagamentos, enchentes, prejuízos agropecuáriosResumo
Considerando a crescente frequência de eventos hidrometeorológicos extremos no estado de Santa Catarina e seus impactos sobre o setor agropecuário, torna-se necessário avaliar de forma sistemática a capacidade de índices climáticos em representar os prejuízos observados. Objetiva-se neste trabalho validar o Índice de Precipitação-Evapotranspiração Padronizado (SPEI) como indicador de extremos úmidos relacionados a chuvas intensas, alagamentos e enchentes, utilizando dados de desastres agropecuários e métodos estatísticos recomendados pela literatura de validação de índices de seca. Para tanto, procede-se à análise de uma base histórica com 7.350 registros, contendo informações de tipo de desastre, ano, município, prejuízos setoriais e valores de SPEI em diferentes escalas temporais. Foram aplicadas correlações de Spearman entre SPEI e prejuízos, regressão logística binária com avaliação de calibração por meio do teste de Hosmer–Lemeshow, regressão linear múltipla e regressão logística multinomial com classes do SPEI definidas em sete categorias. Desse modo, observa-se correlação negativa moderada entre SPEI e prejuízos agropecuários (ρ ≈ -0,47), efeito significativo do SPEI nos modelos linear e logístico e pseudo-R² em torno de 0,24, indicando relação estatisticamente relevante, ainda que parcial. A calibração dos modelos revela ajuste apenas moderado, reforçando a necessidade de incorporar variáveis hidrológicas e de vulnerabilidade. Esses resultados permitem concluir que o SPEI é aplicável ao monitoramento de extremos úmidos e de seus impactos agropecuários em Santa Catarina, mas sua utilização deve ocorrer em sistemas integrados de avaliação de risco e de alerta precoce, em consonância com as recomendações recentes sobre validação de índices de seca.
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