Amostragem em unidades de conservação de proteção integral em Minas Gerais, Brasil, amplia a distribuição de espécies ameaçadas dos Campos Rupestres
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv8n1-139Palavras-chave:
flora ameaçada, Campos Rupestres, Minas Gerais, , unidades de conservação, lista vermelha, IUCNResumo
As Listas Vermelhas de Espécies Ameaçadas de Extinção, como a Lista Oficial do Ministério do Meio Ambiente, servem como base para ações de conservação da biodiversidade brasileira. Este estudo visa contribuir para o conhecimento da distribuição de espécies da flora dos Campos Rupestres de Minas Gerais, um ecossistema com alta biodiversidade e alto índice de endemismos. Foram encontradas 102 espécies consideradas ameaçadas, durante levantamentos florísticos realizados em 15 Unidades de Conservação em Minas Gerais. O Parque Nacional da Serra do Cipó foi a UC com o maior número de espécies ameaçadas, seguido pelo Parque Estadual da Serra do Intendente. 29 espécies foram registradas pela primeira vez nas UC onde foram encontradas. A família Asteraceae apresentou o maior número de espécies ameaçadas, seguida por Fabaceae, Bromeliaceae e Velloziaceae. Os registros de espécies consideradas ameaçadas foram georreferenciados e sua área de ocupação e extensão de ocorrência calculadas. Seu status de conservação foi avaliado de acordo com os critérios da IUCN. Três espécies apresentaram aumento na Extensão de Ocorrência, mas continuam compatíveis com as categorias de ameaça em que se enquadram atualmente. O estudo reforça a importância de inventários florísticos e mapeamentos de populações das espécies ameaçadas para o planejamento de ações de proteção dos Campos Rupestres.
Referências
Bachman S, Moat J, Andrew H, Torre J & Scott B (2011) “Supporting Red List threat assessments with GeoCAT: geospatial conservation assessment tool.” In: Smith V, Penev L (Eds) e-Infrastructures for data publishing in biodiversity science. ZooKeys 150: 117–126. (Version BETA)
Baillie JEM, Hilton-Taylor, C. & Stuart SN (2004) IUCN Red List of Threatened Species. A Global Species Assessment. IUCN, Gland, Switzerland and Cambridge, UK.
Bletter N, Janovec J, Brosi B & Daly, D (2004) A Digital Base Map for Studying the Neotropical Flora. Taxon. 53. 469-477. 10.2307/4135624.
Brasil (2006). LEI Nº 11.428, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2006. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras providências.
BFG (2021) Brazilian Flora 2020 project - Projeto Flora do Brasil 2020. v393.274. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Dataset/Checklist. doi:10.15468/1mtkaw
Brooks TM, Mittermeier RA, Fonseca GAB da, Gerlach J, Hoffmann M, Lamoreux JF, Mittermeier CG, Pilgrim JD, Rodrigues ASL (2006). Global Biodiversity Conservation Priorities. Science 313:58-61. 10.1126/science.1127609.
Campos IC (2013) Risco ambiental associado a espécies da flora deficiente de dados em Minas Gerais: novos argumentos para a Conservação. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. 66p.
Christenhusz M & Byng J (2016) The number of known plant species in the world and its annual increase. Phytotaxa. 261. 201-217. 10.11646/phytotaxa.261.3.1.
Couto DR, Francisco TM, Manhães VC, Machado HD & Pereira MCA (2017) Floristic composition of a Neotropical inselberg from Espírito Santo state, Brazil: an important area for conservation. Check List, 13(1), 2043-2043.
Drummond GM, Machado ABM, Martins CS, Mendonça MP & Stehmann JR (2008). Listas vermelhas das espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção em Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas. CD-ROM.
Dyer AB, Simmonds JS (2021) Incomplete surveys for environmental impact assessments jeopardise threatened species recovery. Pacific Conservation Biology. https://doi.org/10.1071/pc21011
Fernandes G, Barbosa, N. & Alberton B, Barbieri A, Dirzo R, Goulart F, Guerra T, Morellato P & Solar R (2018) The deadly route to collapse and the uncertain fate of Brazilian rupestrian grasslands. Biodiversity and Conservation. 27. 10.1007/s10531-018-1556-4.
FORZZA RC, Baumgratz JFA, Bicudo CEM, Canhos DAL, Carvalho Junior AA, Costa A, Costa DP, Hopkins M, Leitman PM, Lohmann LG, Lughadha EN, Maia LC, Martinelli G, Menezes M, Morim MP, Coelho MAN, Peixoto AL, Pirani JR, Prado J, Queiroz LP, Souza S de, Souza VC, Stehmann JR, Sylvestre LS, Walter BMT & Zappi D (2010) INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Catálogo de plantas e fungos do Brasil [online]. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio: Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. Introdução: síntese da diversidade brasileira, p. 19-42. Vol. 1. ISBN 978-85-8874-242-0. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.
Franciscon CH, Miranda IS (2018). Distribuição e raridade das espécies de Mezilaurus (Lauraceae) no Brasil. Rodriguésia [online]. 2018, v. 69, n. 2 [Acessado 21 Abril 2022], pp. 489-501. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/2175-7860201869218>. ISSN 2175-7860. https://doi.org/10.1590/2175-7860201869218.
Garrard GE, Bekessy SA, McCarthy MA & Wintle BA (2015). Incorporating detectability of threatened species into environmental impact assessment. Conserv. Biol. 2015 Feb;29(1):216-25. doi: 10.1111/cobi.12351. Epub 2014 Aug 22. PMID: 25155009.
Giulietti AM, Menezes NL de, Pirani JR, Meguro M, & Wanderley, MGL (1987) Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: Caracterização e Lista das Espécies. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, 9: 1-151.
Giulietti AM, Pirani JR & Harley RM (1997) Espinhaço Range region. In: Davis, S. D.; Heywood, V. H.; MacBryde, O. H.; Villa-Lobos, J. e Hamilton, A. C. (eds.). Centers of plant diversity: a guide and strategy for their conservation. Cambrige. Pg. 397-404.
Giulietti AM, Harley RM, Queiroz L & Wanderley MGL & van den Berg C (2005). Biodiversidade e conservação das plantas no Brasil. Megadiversidade. 1. 52-61.
Harley RM (1995) Introduction. In: B. L. Stannard (ed.). Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina, Bahia. Royal Botanic Gardens.
Harley RM & Mayo SJ (1980) Towards a Checklist of the Flora of Bahia. Royal Botanic Gardens, London.
ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2018). Guia para gestão de planos de ação nacional para a conservação das espécies ameaçadas de extinção: PAN - elabore - monitore – avalie / ICMBio. Brasília: ICMBio, 2018. 160 p. : il. ISBN: 978-85-61842-86-4
IUCN – International Union for Conservation of Nature (2001). IUCN Red List categories and criteria. IUCN.
IUCN– International Union for Conservation of Nature (2022). The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2021-3. https://www.iucnredlist.org
Kendall P, & Brett S (2009). The role of floristic survey data and quantitative analysis in identification and description of ecological communities under threatened species legislation: A case study from north‐eastern New South Wales. Ecological Management & Restoration. 10. S16 - S26. 10.1111/j.1442-8903.2009.00454.x.
Martinelli G & Moraes MA (2013) Livro vermelho da flora do Brasil. Andrea Jakobsson, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 1100p.
Mittermeier RA, Turner WR, Larsen FW, Brooks TM, Gascon C (2011). Global biodiversity conservation: the critical role of hotspots F.E. Zachos, J.C. Habel (Eds.), Biodiversity Hotspots, Springer Publishers, London (2011), pp. 3-22
MMA - Ministério do Meio Ambiente (2014) Portaria MMA nº 148, de 07 de junho de 2022. Lista nacional oficial de espécies da flora ameaçadas de extinção.
Moraes MA & Martinelli G (2013) A importância de listas vermelhas nos processos de conservação da biodiversidade. In: Martinelli G, Moraes M A (Orgs). Livro Vermelho da Flora do Brasil. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2013. p. 53-57.
Pirani JR, Mello-Silva R & Giulietti AM (2003) Flora, de Grão-Mogol, Minas Gerais. Boletim de Botânica, da Universidade de São Paulo 21(1): 1–27.
Pougy N, Verdi M, Martins E, Loyola R & Martinelli G (2015) Plano de Ação Nacional para a conservação da flora ameaçada de extinção da Serra do Espinhaço Meridional.
Prance GT (1994) A comparison of the efficacy of higher taxa and species numbers in the assessment of biodiversity in the neotropics. Philosophical Transactions of the Royal Society of London, Series 345: 89–99
Raimondo DC, Von Staden L & Donaldson JS (2013) Lessons from the conservation assessment of the South African megaflora. Annals of the Missouri Botanical Garden 99: 221-230.
Rapini A, Ribeiro, P, Lambert S & Pirani JR (2008). A flora dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço. Megadiversidade. 4. 16-24.
Rivers MC, Bachman SP, Meagher TR, Lughadha EN & Brummitt NA (2010) Subpopulations, locations and fragmentation: applying IUCN red list criteria to herbarium specimen data. Biodiversity Conservation 19: 2071-2085.
Rodrigues ASL, Pilgrim JD, Lamoreux JF, Hoffmann M & Brooks TM (2006) The value of the IUCN red list for conservation. Trends in Ecology and Evolution 21: 71-76.
Silveira FAO, Negreiros D, Barbosa NPU, Buisson E, Carmo FF, Carstensen DW, Conceição AA, Cornelissen TG, Echternacht L, Fernandes GW, Garcia QS, Guerra TJ, Jacobi CM, Lemos-Filho JP, Stradic SL, Morellato LPC, Neves FS, Oliveira RS, Schaefer CE, Viana PL & Lambers H (2016). Ecology and evolution of plant diversity in the endangered campo rupestre: a neglected conservation priority. Plant and soil, 403(1), 129-152.
Simmonds JS, Reside AE, Stone Z, Walsh JC, Ward MS & Maron M (2019). Vulnerable species and ecosystems are falling through the cracks of environmental impact assessments. Conservation Letters. doi:10.1111/conl.12694
Veldman J & Overbeck G, Negreiros D, Mahy G, Soizig LS, Fernandes G, Durigan, G, Buisson E, Putz FE & Bond W (2015) Where Tree Planting and Forest Expansion are Bad for Biodiversity and Ecosystem Services. BioScience. 65. 1010-1018. 10.1093/biosci/biv118.
Zappi D, Lucas E, Stannard BL, Lughadha EN, Pirani JR, Queiroz LP, Atkins S, Hind N, Giulietti AM, Harley RM, Mayo SJ & Carvalho AM (2003). Lista das plantas vasculares de Catolés, Chapada Diamantina, Bahia. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 21(2): 345–398.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.