Manual técnico: mormo ou lamparão, uma doença infectocontagiosa
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv8n1-040Palavras-chave:
Burkholderia malle, eutanasiados, quarentenaResumo
O mormo é uma doença infecto-contagiosa grave causada pela bactéria Burkholderia mallei, que afeta equídeos e é zoonótica, com alta letalidade em humanos. A transmissão ocorre por contato com secreções infectadas, ingestão ou inalação, sendo favorecida por manejo inadequado. Clinicamente, apresenta formas nasal (secreção purulenta e úlceras), pulmonar (tosse, febre e lesões pulmonares) e cutânea (nódulos ulcerados e linfangite). Em humanos, varia de febre e lesões cutâneas a insuficiência multiorgânica na forma septicêmica.O diagnóstico combina exames clínicos, PCR e sorologia. No Brasil, equídeos infectados são eutanasiados, e o controle depende de quarentena, desinfecção e manejo rigoroso. Em humanos, o tratamento inclui antibióticos como ceftazidima, imipenem ou doxiciclina, além de suporte clínico para formas graves. A prevenção do mormo baseia-se em medidas sanitárias, como triagem sorológica, isolamento de animais suspeitos, controle de movimentação, desinfecção de ambientes e conscientização dos criadores. Não há vacina disponível, e a erradicação depende de vigilância epidemiológica e notificação compulsória dos casos. A gravidade da doença reforça a necessidade de manejo adequado e protocolos preventivos rigorosos para proteger tanto os animais quanto os seres humanos.
Referências
AL ANI, F. Khalil & ROBERSON, Jerry; Glanders in horses: A review of the literature, Veterinarski Arhiv, v. 77, p. 203-218, 2007.
BRETT, P.J.; DeSHAZER, D.; WOODS, D.E. Characterisation of Burkholderia pseudomallei and Burkholderia Pseudomallei-like strains. Epidemiol. Infect. V.118, p.137-148, 1997.
DITTMANN, L.R.; CARDOSO, T.O.; ROMÃO, F.G.; BARROS, L.D. Aspectos clínico-patológicos do mormo em equinos – Revisão de literatura. Almanaque de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 1, n. 1, p.1-5, 2015.
DYKE, J. S.; HUERTAS-DIAZ, M. C.; MICHEL, F.; HOLLADAY, N. E.; HOGAN, R. J.; HE, B.; LAFONTAINE, E. R. The Peptidoglycan-associated lipoprotein Pal contributes to the virulence of Burkholderia mallei and provides protection against lethal aerosol challenge. Virulence, v. 11, n. 1, p. 1024-1040, 2020.
FALCÃO, M. V. D; SILVA, J. G; MOTA, R. A. Mormo: perguntas e respostas. 1° edição. Recife: EDUFRPE, 2019. 33 p.
GOMES, N. G. Mormo em equídeos de trabalho em usina sulcroenergética no estado de Sergipe: descrição do foco. 48 páginas. Medicina Veterinária, Universidade Federal de Sergipe. Nossa Senhora da Glória, 2020.
HENRICH, K; ZAFANELLI, G; FORTES, C. H. M; NASCIMENTO, C. A; DALENOGARE, C. S; ROSA, L. D. Mormo em equinos: revisão de literatura. XXIVSeminário Interinstitucional, Cruz Alta, novembro, 2019.
KHAN, I.; WIELER, L. H.; MELZER, F.; ELSCHNER, M. C.; MUHAMMAD, G.; ALI, S. et al. Glanders in animals: a review on epidemiology, clinical presentation, diagnosis and countermeasures. Transboundary and Emerging Diseases, v. 60, n. 3, p. 1-18, 2012.
MOTA, Rinaldo, et. Al; Mormo em eqüídeos nos Estados de Pernanbuco e Alagoas, Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 20, p. 155-159, 2000.
MOTA, R. A. Aspectos etiopatológicos, epidemiológicos e clínicos do mormo. Veterinária e Zootecnia, v. 13, n. 2, p. 117-124, 2006.
RABELO, S.S.A. Infecção natural pela Burkholderia mallei em muares (Equus asinus caballus) procedentes da Zona da Mata do estado de Pernambuco: Aspectos clínicos, hematológicos e bioquímicos séricos. 2003. 55f. Tese (Doutorado em Ciência Veterinária) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife.
RADOSTITS, O.M.; GAY, C.C.; BLOOD, D.C.; HINCHCHCLIFF, K.W. Clínica Veterinária. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, 1737p.
RIBEIRO, M. G. Mormo. In: MEGID, J.; RIBEIRO, M. G.; PAES, A. C. (Eds). Doenças infecciosas em animais de produção e de companhia.1.ed. Rio de Janeiro. Roca, 2016. P.423-435.
ROCHA, L. O. Infecção por Burkholderia mallei em Equídeos e cobaios (Cavia porcellus): avaliação da reposta humoral e estudo clínico. 27/09/2018. 58 páginas. Dissertação – Medicina Veterinária, Universidade Federal de Alagoa, Viçosa, 2018.
SECRETARIA DE DEFESA AGROPECUÁRIA (DAS). Portaria nº 35, de 17 de abril de 2018. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/lfda/legislacao-metodos-da-rede-lfda/copy_of_diagnostico animal%20arquivos/copy_of_Portaria35de17.04.2018Testeslaboratparamormo.pdf/view
SILVA, R. L. B. Gerenciamento por processos de negócios na gestão e no controle epidemiológico do Mormo no Brasil. 27/02/2019. 79 páginas. Dissertação – Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2019.
SRINIVASAN, A. et al. Glanders in a military research microbiologist. N Engl J Med, v. 345, n. 4, p. 256-258, 2001.
THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. 4.ed. São Paulo: Varela, 2005. 573p.
VAN ZANDT, K. E.; GREER, M. T.; GELHAUS, H. C. Glanders: na overview of infection in humans. Orphanet Journal of Rare Diseases, v. 8, n. 1, p. 131, 2013.
WHITLOCK, G. C.; ESTES, D. M.; TORRES, A. G. Glanders: off to the races with Burkholderia mallei. FEMS Microbiology Letters, v. 277, n. 2, p. 115-122, 2007.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.