Distribuição, riqueza e comportamento da fauna de abelhas (Hymenoptera: Apidae) em jurubeba (Solanum paniculatum L): uma revisão
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv7n2-108Palavras-chave:
Buzz pollination, Centris, Nordeste do BrasilResumo
Flores de várias espécies de plantas acondicionam seu pólen em anteras poricidas, como aquelas da jurubeba (Solanum paniculatum L., Solanaceae). Este pólen é acessível apenas para abelhas que são capazes de realizar vibrações musculares de alta frequência durante a visita, o que torna a polinização eficiente (‘buzz pollination’). Apesar da polinização da jurubeba ter sido estudada em inúmeros países, estudos que integrem tal conhecimento e que podem auxiliar no manejo e conservação dos polinizadores são inexistentes. Este trabalho objetivou avaliar a distribuição, a riqueza e o comportamento das abelhas (Apidae) visitantes da jurubeba no mundo a partir de interações reportadas em inglês na literatura. Foi realizada uma revisão sistemática nas bases Google Scholar, Scielo, Scopus e Web of Science, no período de 1970 a 2020, utilizando na combinação de busca os nomes científicos e populares (em inglês) das plantas associados a termos relacionados a visitantes florais. Dos trabalhos encontrados foram extraídos país de estudo e as espécies de visitantes registradas. Dezessete trabalhos foram encontrados, todos conduzidos no Brasil, sendo 13 (76,4%) desenvolvidos na Região Nordeste, três (17,6%) na região Sudeste e um (6%) na região Norte. Foram registradas 20 espécies de abelhas da família Apidae distribuídas em oito gêneros: Apis (uma sp.), Bombus (duas spp.), Centris (oito spp.), Euglossa (uma spp.), Eulaema (duas spp.), Melipona (duas spp.), Tetragonisca (uma sp.) e Xylocopa (três spp.). O gênero mais diverso foi Centris, registrado mais frequentemente na Bahia, seguido por Xylocopa (três spp. ou 15%) encontrado apenas no estado de Pernambuco. A maior riqueza de visitantes florais foi na Bahia (sete spp. ou 35%). Entre as abelhas apenas cinco espécies (25%) foram consideradas como polinizadoras em todos os trabalhos, dez (50%) como visitantes e cinco (25%) exibiram ambos os comportamentos. A capacidade de vibrar as anteras foi encontrada em 18 spp. ou 90% das abelhas registradas, exceto espécies do gênero Apis e Tetragonisca (uma espécie cada). A área de origem da jurubeba pode justificar a concentração de estudos no território brasileiro. Abelhas vibradoras da tribo Xylocopini, Bombini, Euglossini, Centridini e Augochlorini são as mais utilizadas como polinizadores de culturas da família Solanaceae. Tais abelhas melhoram a produção dos frutos de diversas culturas desta família, como na jurubeba. A eficiência está estreitamente associada ao comportamento de vibrar as anteras.
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