Fotobiomodulação associado ao tratamento convencional em esporotricose canina
Photobiomodulation associated with conventional treatment in canine sporotricosis
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv6n4-054Palavras-chave:
Esporotricose canina, fotobiomodulação, terapêutica, antropozoonóticasResumo
A esporotricose é uma infecção fúngica de característica antropozoonótica causada por espécies do complexo Sporothrix spp, cujas principais fontes de transmissão são felinos domésticos, plantas, solo e madeira, sendo a de maior relevância os felinos. A transmissão acontece através de mordidas ou arranhões de animais contaminados com o fungo, podendo ser transmitido por qualquer animal acometido. O objetivo deste trabalho foi relatar o caso de um cão diagnosticado com Sporothrix schenckii e descrever o tratamento utilizado nesse paciente. Foi atendido no setor de dermatologia em uma clínica veterinária em Vila Velha um paciente canino, fêmea, Pastor Alemão, de seis anos de idade e escore de condição corporal (ECC) 6/9, apresentando como queixa principal êmese, febre, e prostração, incontinência urinária, anorexia e lesões cutâneas ulceradas e profundas. As lesões estavam localizadas na região perilabial e no membro torácico direito, sendo essa última apresentando necrose e exposição da musculatura com presença de secreção purulenta. Foram realizados exames complementares como citologia das lesões, onde foram observadas células binucleadas, bactérias dos tipos cocos e bacilos. Além disso, realizou-se biópsia das lesões para exame histopatológico e cultura fúngica. Através da cultura pôde-se confirmar a presença do fungo Sporothrix schenckii causador da esporotricose. Foi instituída a terapia fotobiomodulação (conhecida como laserterapia de baixa potência) associado a terapia convencional com Itraconazol e Iodeto de potássio por via oral, além de Mupirocina pomada nas lesões, S-Adenosilmetionina (SAMe) como antioxidante hepático e dipirona como antipirético. Para a fotobiomodulação foi utilizado luz vermelha em uma potência de 2J/cm², usando o Cluster, com duração de 20 segundos na lesão do MTD, realizado pelo aparelho da ECCO Vet®, em apenas uma sessão. Após a primeira sessão de laserterapia, a paciente apresentou melhora clínica, com fechamento total das feridas, ausência de cicatriz e crescimento folicular. Com isso, o tratamento medicamentoso foi mantido por 30 dias após melhora clínica. Após o período de tratamento repetiu-se a biópsia cutânea sendo enviado para cultivo fúngico, e desta vez não houve crescimento do fungo configurando a cura da esporotricose. Conclui-se que o diagnóstico correto e precoce, a instituição do tratamento multimodal e o acompanhamento do paciente foram de extrema importância para uma boa resposta terapêutica.
Referências
Artigos de revista
ARNOLD, R., et al. Conhecimento quanto à infecção por esporotricose em humanos entre tutores de gatos no município de São Paulo, Brasil. PUBVET, v. 15, p. 188, 2021.
CROTHERS, S. L., et al. Sporotrichosis: a retrospective evaluation of 23 cases seen in northern California (1987–2007). Veterinary dermatology, v. 20, n. 4, p. 249-259, 2009.
DE OLIVEIRA BENTO, A., et al. The spread of cat-transmitted sporotrichosis due to Sporothrix brasiliensis in Brazil towards the Northeast region. PLoS Neglected Tropical Diseases, v. 15, n. 8, 2021.
DOS SANTOS, R. S. B., et al. Saúde Única nas atividades de campo com estudantes da Faculdade De Medicina Veterinária Do Unifeso. Revista da JOPIC, v. 3, n. 7, 2020.
FRANCESCHI, N. T., et al. Esporotricose óssea em gato causada por Sporothrix brasiliensis. Acta scientiae veterinariae. Porto Alegre, RS, v. 45, 2018.
Gremião, I. D. F., et al. Feline sporotrichosis: epidemiological and clinical aspects. Medical mycology, v. 53, n. 1, p. 15-21, 2015.
GREMIÃO, I. D. F., et al. Guideline for the management of feline sporotrichosis caused by Sporothrix brasiliensis and literature revision. Brazilian journal of Microbiology, v. 52, p. 107-124, 2021.
HENRIQUES, Á. C. G.; CAZAL, C.; CASTRO, J. F. L. Ação da laserterapia no processo de proliferação e diferenciação celular: revisão da literatura. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 37, p. 295-302, 2010.
KALIL, R.F.T; OLIVEIRA, J. Fotobiomodulação para queimadura profunda em cão da raça Spitz com alopecia X. Pubvet, v. 16, n. 10, 2022.
KALIL, R. F. T.; SILVA, H. do C.; FLECHER, M. C.; GAVA, M. G. Photobiomodulation as a treatment in dogs with black hair follicular dysplasia: Fotobiomodulação como tratamento para displasia folicular do pêlo preto. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 1217–1222, 2023.
LARSSON, C. E. Esporotricose. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 48, n. 3, p. 250-259, 2011.
MELO, A. F., et al. Utilização de terapia fotodinâmica e fotobiomodulação como terapias complementares no tratamento da esporotricose em felinos. Revista Cereus, v. 13, n. 3, p. 207-217, 2021.
SANTOS, A. F. et al. Guia prático para enfrentamento da esporotricose felina em Minas Gerais. Revista Veterinária & Zootecnia em Minas, v. 137, n. 38, p. 16-27, 2018.
SCHUBACH, T. M. P., et al. Canine sporotrichosis in Rio de Janeiro, Brazil: clinical presentation, laboratory diagnosis and therapeutic response in 44 cases (1998–2003). Sabouraudia, v. 44, n. 1, p. 87-92, 2006.
SOUZA, L. L., et al. Isolation of Sporothrix schenkii from the nails of healthy cats. Brazilian Journal of Microbiology, v. 37, p. 372-374, 2006.
PEREIRA, S. A. et al. Sensitivity of cytopathological examination in the diagnosis of feline sporotrichosis. Journal of feline medicine and surgery, v. 13, n. 4, p. 220-223, 2011.
WHITTEMORE, J. C.; WEBB, C. B. Successful treatment of nasal sporotrichosis in a dog. The Canadian Veterinary Journal, v. 48, n. 4, p. 411, 2007.
Livros
GURR, E. Synthetic dyes in biology, medicine and chemistry. Academic Press, 2012.
NELSON, R. W. & COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Editora, Amsterdan. 2015.
SCHUBACH, T. M. P.; MENEZES, R. C.; WANKE, B. Sporotrichosis. In: GREENE, C.E. (ed.). Infectious Diseases of the Dog and Cat. 4.ed. St. Louis: Elsevier, p.645- 650. 2012.
LARSSON, C. E. Esporotricosis. 2010. In: GOMEZ, N.; GUIDA, N. (ed.). Enfermedades infecciosas de los caninos y felinos. 1.ed. Buenos Aires: Intermedica, p. 433-440. 2010.
MEGID, J.; RIBEIRO, M. G.; PAES, A. C. Doenças infecciosas em animais de produção e de companhia. 1.ed. Rio de Janeiro: Roca, p. 799-821, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.