Análise faunística de besouros broqueadores de madeira capturados por armadilhas etanólicas em uma floresta estacional semidecidual montana
Faunistic analysis of wood-boring beetles captured by ethanol traps in a mountain semi-decidual seasonal forest
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv6n3-008Palavras-chave:
Xilófago, Roechling, Bostrichidae, Cerambycidae, ScolytinaeResumo
Os insetos xilófagos são a razão de dano em muitas plantações comerciais em que o lenho é tido como foco para faturamento, e os insetos da ordem Coleoptera são um dos mais visados se tratando de prejuízos causados à madeira. Por esse motivo, objetivou-se com esta pesquisa realizar a análise faunística dos besouros broqueadores de madeira em uma floresta nativa, como também avaliar a eficiência de três tipos de armadilha etanólicas adaptadas na captura das famílias Curculionidae (Scolytinae), Bostrichidae e Cerambycidae. O estudo foi realizado em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual Montana, localizada na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), no campus de Vitória da Conquista na Bahia. Foram utilizadas 15 armadilhas etanólicas adaptadas, dos tipos Roechiling, Carvalho-47 e Semifunil, instaladas a 1,30m do solo. As coletas foram realizadas quinzenalmente entre os meses de maio e outubro de 2019. Após a coleta os insetos foram encaminhados para o Laboratório de Ecologia e Proteção Florestal da UESB para triagem e identificação em nível de família. Os índices faunísticos analisados foram Frequência, Riqueza, Constância, Dominância e Índice de Diversidade de Shannon. As armadilhas possibilitaram a coleta de 2952 besouros broqueadores distribuídos em três famílias, sendo estas Curculionidae (somente Scolytinae), Bostrichidae e Cerambycidae. A armadilha Roechling coletou a maior quantidade de insetos (50,4%) quando comparada com a Carvalho-47 (23,6%) e a Semifunil (25,98%). Foi possível observar que os Scolytinae, apresentaram maior frequência relativa nas três armadilhas (Roechling – 85,35%; Carvalho-47 – 77,04%; Semifunil – 76,53%), seguido dos Bostrichidae (Semifunil – 22,43%; Carvalho-47 – 20,37%; Roechling – 14,18%;) e dos Cerambycidae (Carvalho-47 – 2,58%; Semifunil – 1,04%; Roechling – 0,47%;). Os escolitíneos foram os únicos que apresentaram dominância e, em relação à constância, os cerambicídeos foram os únicos não constantes em duas armadilhas, sendo acessórios (Y) na Roechling e acidentais (Z) na Semifunil. O índice de Shannon foi maior na Semifunil (H’: 0,62), seguido da Carvalho-47 (H’: 0,59) e Roechling (H’: 0,44). Concluiu-se que todas as armadilhas capturam, na área estudada, as famílias de interesse. No entanto, merece destaque a Roechiling pela maior abundância de insetos capturados, mostrando-se portanto a mais eficiente quando comparada com as demais, podendo portanto ser utilizada no monitoramento e no controle principalmente dos Scolytinae.
Referências
ARAÚJO FILHO, J. C. Floresta Estacional Semidecidual. 2021. EMBRAPA, Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/territorios/territorio-mata-sul-pernambucana/caracteristicas-do-territorio/recursos-naturais/vegetacao/floresta-estacional-semidecidual. Acesso em: 16 jun. 2023.
BORROR, D. J.; DELONG, D. M. Estudo dos Insetos. 7. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. 809 p.
CASARI, S. A.; IDE, S. Coleoptera Linnaeus, 1758. In: RAFAEL, J. A.; MELO, G. A. R.; CARVALHO, C. J. B. de; CASARI, S. A.; CONSTANTINO, R. (Ed.). Insetos do Brasil: diversidade e taxonomia. Ribeirão Preto: Holos Editora, 2012. p. 453-536.
COSTA, C.; IDE, S. Coleoptera. In: COSTA, C.; IDE, S.; SIMONKA, C. E. (Ed.). Insetos imaturos: metamorfose e identificação. Ribeirão Preto; Holos, 2006. p. 107-146.
GONÇALVES, F. G.; CARVALHO, A. G. de; CARDOSO, W. V. M.; RODRIGUES, C. dos S. Coleópteros broqueadores de madeira em ambiente natural de Mata Atlântica e em plantio de eucalipto. Pesquisa Florestal Brasileira, [S. l.], v. 34, n. 79, p. 245–250, 2014. DOI: 10.4336/2014.pfb.34.79.499. Disponível em: https://pfb.cnpf.embrapa.br/pfb/index.php/pfb/article/view/499. Acesso em: 25 jun. 2023.
GRIMALDI, D. & ENGEL, M. S. Evolution of the Insects. New York: Cambridge University Press, 2006. 755 p.
Instituto Ambiental do Paraná - IAP. Revista Atlântica: Conhecendo o Bioma Mata Atlântica no Paraná. 1. ed. Paraná, 2018. Disponível em: http://www.conexaoambiental.pr.gov.br/sites/conexao-ambiental/arquivos_restritos/files/documento/2018-11/revistaatlantica_vol1.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023.
MARTINS, F.; WEBER, C. .; NEPPEL, G.; JUNQUEIRA, M. .; OLIVEIRA, . R.; CIDADE, F. . Mata Atlântica: Da formação original à fragmentação e o atual estado de conservação em Santa Catarina. . Estrabão, [S. l.], v. 2, p. 188–191, 2021. DOI: 10.53455/re.v2i.45. Disponível em: https://estrabao.press/ojs8/index.php/estrabao/article/view/45. Acesso em: 20 jun. 2023.
MMA, Ministério do Meio Ambiente e mudança de clima, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/mata-atlantica. Acesso em: 24 jun. 2023.
NOVAES, A. B. de; LONGUINHOS, M. A. A.; RODRIGUES, J.; SANTOS, I. F. dos; GUSMÃO, J. C. Caracterização e demanda florestal da Região Sudoeste da Bahia. In: Simpósio sobre Reflorestamento na Região Sudoeste da Bahia, 2., 2005, Vitória da Conquista. Memórias. Colombo: Embrapa Florestas, 2008. p. 25-43.
PELENTIR, S.C.S. Eficiência de cinco modelos de armadilhas etanólicas na coleta de Coleoptera: Scolytidae, em floresta nativa no município de Itaara. RS. 2007. (Dissertação Mestrado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria, RS, Brasil, 81 p. 2007.
RAFAEL, J. A.; MELO, G. A. R.; CARVALHO, C. J. B.; CASARI, S. A.; CONSTANTINO, R. Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. 1. ed. [S. l.]: Holos, 2012. 810 p. ISBN 978-85-86699-72-6.
RAINHO HL 2023. Scolytinae in Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. PNUD. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/195309>. Acesso em: 29 Jun. 2023
SANTOS, W. F. Armadilhas etanólicas na coleta de coleópteros das famílias Curculionidae (Scolytinae, Platypodinae), Bostrichidae e Cerambycidae em um plantio de Eucalyptus urophylla S.T. Blake em Vitória da Conquista, Bahia. 2021. 42 p. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Engenharia Florestal) - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 2021.
SCHAUFF, M. E. Collecting and preserving insects and mites: Techniques and tools. 2001. Systematic Entomology Laboratory, USDA, 2001 - 69 páginas
SILVEIRA NETO, S. S. Manual de ecologia dos insetos. Editora Agronômica Ceres, 1976 - 419 p.
TRIPLEHORN, C. A.; JOHNSON, N. F. Estudo dos Insetos. 7. ed. [S. l.]: CENGAGE Learning, 78-85-221-0799-5.
WWF (Brasil). Mata Atlâtica: é o bioma mais biodiverso do Brasil com 20 mil espécies de flora e cerca de 2.040 espécies diferentes de fauna. [S. l.], 2021. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/mata_atlantica/mata_atlantica/#:~:text=Nesse%20sentido%2C%20a%20Mata%20Atl%C3%A2ntica%20%C3%A9%20um%20dos,das%20mudan%C3%A7as%20clim%C3%A1ticas%20e%20nos%20custos%20da%20restaura%C3%A7%C3%A3o.%E2%80%9D. Acesso em: 24 jun. 2023.
ZANUNCIO, J.C.; BRAGANÇA, M.A.L; LARANJEIRO A.J; FAGUNDES, M. Coleópteros associados à eucaliptucultura nas regiões de São Mateus e Aracruz, Espírito Santo. Revista Ceres. v. 41, p. 584-590, Espírito Santo, 1993.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.