Sepse: correlação dos achados laboratoriais e taxa de sobrevida de animais
Sepsis: correlation of laboratory findings and animal survival rate
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv6n1-018Palavras-chave:
alterações laboratoriais, doenças infecciosas, mortalidade, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS)Resumo
A sepse tem se tornando um dos maiores desafios na medicina veterinária. A sepse é definida como uma disfunção orgânica decorrente de uma inadequada resposta imunológica frente a um agente infeccioso, ameaçando a vida do animal. O objetivo deste trabalho foi verificar a ocorrência das doenças de maior frequência que levaram os animais a sepse nos atendimentos realizados no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Vila Velha (UVV), em Vila Velha/ Espírito Santo, Brasil, observando as alterações laboratoriais relacionadas à sepse e correlacionando com a expectativa de vida desses animais. Através de um estudo retrospectivo, houve o levantamento dos casos atendidos no período de agosto a dezembro de 2019. Os dados foram tabulados, e, analisados por software, utilizando nível de significância de 5%. As principais doenças que conduziram a sepse foram em ordem de frequência a erliquiose, piometra e gastroenterites; além disso, foi observado que os fatores influenciadores na sobrevida destes animais foram alteração nos valores de leucócitos totais (p=0,042) e a presença de azotemia (ureia p <0,001 e creatinina p=0,003). Demonstrou-se assim, a importância dos achados laboratoriais em conjunto com as alterações clínicas, permitindo agilidade na identificação de um quadro em curso de síndrome da resposta inflamatória (SRIS)/Sepse.
Referências
ADRIE C.; AZOULAY E.; FRANCAIS A. et al. Influence of gender on the outcome of severe sepsis: a reappraisal. Chest, v. 132, n. 6, p. 1786‐1793. 2007.
AGUIAR, F. G. P. L. O hemograma no cão e contribuição para a sua caracterização no cão da serra da estrela, variedade de pelo comprido. 2010. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária). Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Lisboa, 2010.
ALLISON, R.W.; MEINKOTH, J.H. Hematology without the numbers: in-clinic blood film evaluation. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 37, p. 245-266, 2007.
AROCH, I.; KLEMENT, E.; SEGEV, G. Clinical, biochemical and hematological characteristics, disease prevalence and prognosis of dogs presenting with neutrophil cytoplasmic toxicity. Journal of Veterinary Internal Medicine, v.19, p. 64-73, 2005.
BARBOSA, B.C.; ALVES F,S.; BIER S.L. et al. Fisiopatologia e terapia do cão com sepse: revisão. Publicações em medicina veterinária (PUBVET), v.10, n.1, p. 13-20, 2016.
BASSO, P. C.; MÜLLER, D. C. M.; SERAFINI, G. M. C. Fisiopatologia e manejo da sepse e síndrome da resposta inflamatória sistêmica – revisão de literatura. Medvep - Revista Científica de Medicina Veterinária - Pequenos Animais e Animais de Estimação, Curitiba/ PR, v. 10, n. 34, p. 430-436, 2012.
CANDIDO, T. D; NETO, F. J. D.; MARUCIO, R. L. et al., Diagnóstico e tratamento de choque séptico em cães. Medvep - Revista científica de Medicina Veterinária - Pequenos Animais e Animais de Estimação, Curitiba/ PR, v. 10, n. 32, p. 128-132, 2012.
CASTRO, B. G. A.; RABELO, R. C. Sepsis-3: uma análise aplicada à medicina veterinária. Journal Laveccs, v.9, n. 3, nov. 2017.
DECARO, N.; DESARIO, C.; BILLI, M. et al., Western European epidemiological survey for parvovirus and coronavirus infections in dogs. The Veterinary Journal, v.187, n. 2, p.195-199, 2011.
FRANSSON B. A.; LAGERSTEDT A.S.; BERGSTROM A. et al., C-reactive protein, tumor necrosis factor α, and interleukin-6 in dogs with pyometra and SRIS. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v.17, p. 373–381, 2007.
HIROTA, I. N.; FRANCO, R. P.; GALVANI, G. D.; SIMÕES, J. G. S. Reposição volêmica em cães portadores de sepse grave: revisão de literatura. Nucleus Animalium, v.5, n.1, p.79-90, 2013.
ILAS. Implementação de protocolo gerenciado de sepse protocolo clínico: Atendimento ao paciente adulto com sepse / choque séptico). São Paulo, 14 p., 2018. Disponível em: <https://ilas.org.br/assets/arquivos/ferramentas/protocolo-de-tratamento.pdf>. Acessado em 29 mai. 2020.
ISOLA, J. G. M. P. Parâmetros clínicos e laboratoriais relacionados ao prognóstico em cães com gastroenterite hospitalizados. 2014. Tese (Doutorado) – UNESP/ Jaboticabal, São Paulo, 2014,
ISOLA, J. G. M. P.; SANTANA, A. E.; MORAES, P. C. et al., Estudo da incidência de SIRS, sepse, sepse grave e choque séptico, diagnosticados no atendimento de emergência em cães hospitalizados com gastroenterite. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 12 -17, 2014.
KANEKO, J. J.; HARVEY, J. W.; BRUSS M. L. Clinical Biochemistry of Domestic Animals. Elsevier, 6 ed., p. 916, 2008.
LAMBERT, J. L.; FERNANDEZ, N. J.; ROY, M. F. Association of Presence of Band Cells and Toxic Neutrophils with Systemic Inflammatory Response Syndrome and Outcome in Horses with Acute Disease. Journal of Veterinary Internal Medicine, v.30, p. 1284-1292, 2016.
LEVISKI, D. S.; DUARTE, I. C. B. Família multiespécie: o animal no rompimento das relações afetivas. (Re)pensando Direito, Santo Ângelo/RS. v. 09, n. 18, p. 208-223, jul./dez. 2019.
MELLO, W. A.; SILVA, J. O. Sepse – A importância do laboratório clínico no diagnóstico. Revista Multidisciplinar da saúde, Piracicaba/SP, n. 2, p. 34-50, 2009.
MEYER, D. J.; HARVEY, J. W. Veterinary laboratory medicine. Philadelphia: W.B. Saunders, 2 ed., p. 373, 1998.
MOTA N. M.; RAMALDES F. M.; LEAL D. R. Estudo retrospectivo de casos de erliquiose canina atendidos no centro universitário ICESP de Brasília. Revista ciência e saúde animal, v.1, n.1, p. 1-14, 2019.
POWELL L. L. Sepsis/SIRS. Western Veterinary Conference. Disponível em: <http://www.vin.com/Proceedings/Proceedings.plx>. Acessado em 28 mai. 2020.
RABELO, R. C. Estudio y valor pronóstico de los parâmetros relacionados con supervivência em clínica de urgencias de pequenos animales: estudio multicêntrico. 2008. Tese (Doutorado) – Universidad Complutense de Madrid, Madrid, 2008.
RODRIGUES, M. D.; ESCAPILATO, P. B.; OLIVEIRA, N. A.; MENOLLI, K. A. P. Gastroenterite canina: principais agentes etiológicos. Ciência veterinária UniFil, v.1, n.2, p. 1-12, 2018.
RUDD, K. E.; SEYMOUR, C. W.; ALUISIO, A.R. et al., Association of the Quick Sequential (Sepsis-Related) Organ Failure Assessment (qSOFA) Score With Excess Hospital Mortality in Adults With Suspected Infection in Low- and Middle-Income Countries. JAMA, v. 319, n. 21, p. 2202-2211, 2018.
SALES JUNIOR, J. A. L.; DAVID, M. C.; HATUM, R. et al., Sepse Brasil: estudo epidemiológico da sepse em Unidades de Terapia Intensiva brasileiras. Rev. bras. ter. intensiva, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 9-17, Mar. 2006.
SALES M. R. R. P.; IGNACCHITI M. D. C.; JUNIOR A. F. M. et al., Prevalência de Ehrlichia canis pela Nested-PCR, correlação com a presença de mórula e trombocitopenia em cães atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Espírito Santo. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 37, n.1, p. 47-51, 2013.
SILVERSTEIN, D.; SANOTORO-BEER, K. Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS). In: RABELO, R. C. (editor). Emergências de pequenos animais: condutas clínicas e cirúrgicas no paciente grave. Rio de Janeiro: Elsevier, 1 ed., cap. 19, p. 444-450, 2012.
SINGER, M.; DEUTSCHMAN, C. S.; SEYMOUR, C. W. et al., The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). Journal of the American Medical Association, v. 315, n. 8, p. 801-810, 2016.
TRAUTWEIN L. G. C.; SANT´ANNA M. C.; JUSTINO R. C.; MARTINS M. I. M. Guia revisado sobre o diagnóstico e prognóstico da piometra canina. Revista oficial Colégio Brasileiro de cirurgia e anestesiologia veterinária (CBCAV), v.17, n.1, p. 16-23, 2018.
VIEIRA, F. T. Ocorrência de Ehrlichia spp., Anaplasma spp., Babesia spp., Hepatozoon spp., e Rickettsia spp. em cães domiciliados em seis municípios do estado do Espírito Santo, Brasil. 2017. Tese (Doutorado em doenças infecciosas). Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores.
- É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte.
- Artigos com plágio serão recusados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar nesta revista.
- Os nomes e endereços informados nesta revista serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não estão disponíveis para outros fins ou a terceiros.
- Depois de enviar os artigos, os autores cedem os direitos autorais de seus artigos ao BJAER. Se você se arrepender da submissão, o autor tem o direito de solicitar ao BJAER que não publique seu artigo. Porém, essa solicitação deve ocorrer até dois meses antes da divulgação do número que o artigo será publicado.
- O BJAER usa a licença Creative Commons CC BY. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/
Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER) se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os trabalhos finais não serão enviadas aos autores.