Redução de danos: o que dizem profissionais que exercem sua prática orientada por essa política / Damage reduction: what professionals say that exercise their practice oriented by this policy

Authors

  • Marcus Tulio Caldas
  • Maria Eduarda Calado Macêdo
  • Vivian Letícia Rudnick Ueta
  • Amanda França Cruz Ximenes

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv6n8-415

Keywords:

políticas públicas, redução de danos, experiência, fenomenologia, profissionais de saúde.

Abstract

A utilização de substâncias lícitas ou ilícitas pelas pessoas não é um fenômeno recente e as causas e as finalidades do consumo de drogas foram sendo adquiridos e moldadas de acordo com as características específicas dos grupos, podendo ter fins ritualísticos, religiosos, medicinais, agregadores e, mais atualmente, de contestação. Portanto, a redução de danos caracteriza-se como uma abordagem ao fenômeno das drogas que visa minimizar danos sociais e à saúde associados ao uso de substâncias psicoativas. Tal prática busca a socialização dos usuários de drogas, promovendo o autocuidado com a saúde e a busca por direitos. No Brasil, essa política teve a primeira experiência em 1989, na cidade de Santos, com a distribuição de seringas estéreis entre usuários de drogas injetáveis. Desde então muitos estados brasileiros têm desenvolvido ações que visam promover a aderência tanto da sociedade, quanto dos usuários e profissionais da saúde, à política de Redução de Danos. Assim, o projeto teve como objetivo geral pesquisar a política de Redução de Danos a partir da experiência de profissionais que exercem sua prática orientada por essa política. O método em uma primeira etapa utilizou a pesquisa bibliográfica e a análise de documentos buscando investigar os fundamentos históricos e conceituar a política de Redução de Danos. Em seguida, tendo como instrumentos a entrevista narrativa e o diário de campo, pesquisou a experiência de 10 profissionais de saúde e implicados com essa política. A análise dos resultados se deu a partir das Unidades de Significado propostas por Amedeo Giorgi. No sentido de facilitar a apresentação dos resultados, agrupamos as unidades de sentido encontradas em 5 principais, que foram: “redução de danos como uma política que requer melhor conceituação”; “relação entre redução de danos e abstinência”; “redução de danos, uma polissemia”; “redução de danos como um processo singular”; “redução de danos e os trabalhos científicos”. A partir das unidades de sentido, foram agrupados os respectivos recortes das entrevistas e, a partir daí, foi possível inferir que a redução de danos tem um caráter amplo e divergente, tanto em seus aspectos teóricos quanto em suas ações práticas.  Os entrevistados acreditam que a política por se caracterizar por um acolhimento radical, o respeito aos direitos e a liberdade de escolha apresenta fortes elementos humanistas. Igualmente o pragmatismo estaria presente no aspecto da ação prática, das estratégias desenvolvidas em grande parte a partir da experiência dos profissionais. Poucos profissionais, na maioria críticos, apontaram aspectos ideológicos como fundamentais. Todos consideraram um modelo valioso para a prevenção e tratamento de usuários de álcool e drogas ressaltando a necessidade de pesquisas para melhor delimitar, inclusive em suas indicações, esta importante política. 

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Published

2020-08-20

How to Cite

Caldas, M. T., Calado Macêdo, M. E., Rudnick Ueta, V. L., & Cruz Ximenes, A. F. (2020). Redução de danos: o que dizem profissionais que exercem sua prática orientada por essa política / Damage reduction: what professionals say that exercise their practice oriented by this policy. Brazilian Journal of Development, 6(8), 59908–59920. https://doi.org/10.34117/bjdv6n8-415

Issue

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Original Papers