Caracterização histológica da glândula de Duvernoy da serpente Philodryas nattereri Steindachner, 1870 / Histological characterization of Duvernoy’s gland of the snake Philodryas nattereri Steindachner, 1870

Authors

  • Fred Ribeiro Santiago
  • Francisco Antônio Félix Xavier Júnior
  • Isadora Oliveira de Carvalho
  • Roberta da Rocha Braga
  • Glayciane Bezerra de Morais
  • Juliana Menezes de Souza
  • Diva Maria Borges Nojosa
  • Janaina Serra Azul Monteiro Evangelista

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv6n8-117

Keywords:

Glândula de Duvernoy, Philodryas nattereri, histologia.

Abstract

Philodryas nattereri é uma serpente conhecida popularmente como corre-campo ou tabuleiro, sendo encontrada em regiões de caatinga e no semiárido brasileiro. Essas serpentes possuem uma glândula de Duvernoy bem desenvolvida, conectada a um dente sulcado, especializado para a inoculação de toxinas. O trabalho teve como objetivo realizar a caracterização histológica da glândula de Duvernoy da serpente P. nattereri. Para o estudo foram utilizados quatro pares de glândulas de animais oriundos de projetos de pesquisa em história natural e distribuição da herpetofauna, tombadas e depositadas na Coleção Herpetológica do NUROF. Após a dissecção, as glândulas passaram pelo processamento histológico, onde foram fixadas em formol tamponado a 10%, desidratadas em concentrações crescentes de álcool e posteriormente diafanizadas em xilol. Após a inclusão em parafina, realizou-se a microtomia dos blocos, com cortes de 5 µm para a confecção das lâminas. Utilizou-se para a coloração hematoxilina-eosina e azul de toluidina. Para o estudo histoquímico, utilizou-se ácido periódico de Schiff (PAS) e PAS + Amilase salivar. Macroscopicamente, a glândula de Duvernoy possuía forma ovulada, lobulada e alongada, apresentando coloração esbranquiçada. A média do comprimento foi de 6 mm para a glândula esquerda e 7 mm para a direita. Com relação a medição da altura, as glândulas esquerda e direita tiveram uma média de 3 mm cada.  As fotomicrografias revelaram que a glândula de Duvernoy é revestida por uma cápsula de tecido conjuntivo denso, dividida em lóbulos por septos de tecido conjuntivo. Cada lóbulo contém túbulos secretores formados por células serosas, o que indica produção de proteínas como enzimas. Foi observado glândulas com células mucosas no ducto excretor, o que pode estar relacionado à produção de glicoproteínas. Concluímos que a glândula de Duvernoy da serpente P.nattereri enquadra-se na segunda categoria histológica segundo Taub (1967), que consiste em uma glândula predominantemente serosa, com células mucosas intercaladas.

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Published

2020-08-12

How to Cite

Santiago, F. R., Júnior, F. A. F. X., Carvalho, I. O. de, Braga, R. da R., Morais, G. B. de, Souza, J. M. de, Nojosa, D. M. B., & Evangelista, J. S. A. M. (2020). Caracterização histológica da glândula de Duvernoy da serpente Philodryas nattereri Steindachner, 1870 / Histological characterization of Duvernoy’s gland of the snake Philodryas nattereri Steindachner, 1870. Brazilian Journal of Development, 6(8), 55661–55672. https://doi.org/10.34117/bjdv6n8-117

Issue

Section

Original Papers