Hérnia retrátil do cordão espermático: revisão de literatura e relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n3-051Keywords:
hérnia inguinal, cordão espermático, laparoscopia técnica TEP, variante anatômicaAbstract
As hérnias inguinais representam uma das afecções cirúrgicas mais frequentes na prática médica; entretanto, variantes anatômicas raras, como a hérnia retrátil do cordão espermático, permanecem pouco reconhecidas e sub-representadas na literatura. Essa condição caracteriza-se pela trajetória posterior do saco herniário em relação ao funículo espermático, o que dificulta o diagnóstico pré-operatório e desafia a classificação tradicional das hérnias inguinais. Considerando a escassez de descrições sistematizadas e as implicações clínicas e cirúrgicas dessa variante, objetiva-se revisar criticamente a literatura disponível sobre a hérnia retrátil do cordão espermático e relatar um caso clínico tratado por via laparoscópica totalmente extraperitoneal. Para tanto, procede-se a uma revisão narrativa da literatura, realizada em bases de dados nacionais e internacionais, associada à descrição detalhada de um relato de caso identificado intraoperatoriamente. Desse modo, observa-se que a apresentação clínica é frequentemente insidiosa, os métodos de imagem apresentam limitações diagnósticas e a laparoscopia, especialmente pela abordagem totalmente extraperitoneal (TEP), permite visualização anatômica superior e reconhecimento preciso dessa variante. O que permite concluir que o conhecimento aprofundado da anatomia do espaço pré-peritoneal e o uso da abordagem laparoscópica são fundamentais para o diagnóstico e manejo seguros da hérnia retrátil do cordão espermático, contribuindo para melhores desfechos cirúrgicos.
References
AVELLAR, L. T. et al. Videolaparoscopia na abordagem terapêutica da hérnia inguinal. 2021. Trabalho de Iniciação Científica (Cirurgia Geral) – Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2021.
BELLÓN, J. M. et al. Biomechanical behavior of meshes used in laparoscopic inguinal hernia repair. Surgical Endoscopy, New York, v. 22, p. 2161–2167, 2008.
BENDAVID, R. The space of Bogros and the anatomy of the retroinguinal region. New York: Springer, 2000.
BOAVENTURA, F. M. et al. Inguinodynia after inguinal hernioplasty: clinical and surgical management. Brazilian Journal of Case Reports, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 1–7, 2022.
FERZLI, G. S. et al. Totally extraperitoneal laparoscopic hernia repair. Surgical Endoscopy, New York, v. 13, p. 104–108, 1999.
FURTADO, M. F. et al. Sistematização do reparo da hérnia inguinal laparoscópica. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, São Paulo, v. 32, n. 3, p. e1456, 2019.
MOREIRA, D. C. et al. Complicações agudas de pacientes submetidos à hernioplastia videolaparoscópica. Revista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, Campo Grande, v. 5, n. 1, p. 12–19, 2022.
READ, R. C. Unusual forms of inguinal hernia. American Journal of Surgery, New York, v. 158, p. 181–184, 1989.
SKANDALAKIS, J. E. et al. Skandalakis' surgical anatomy: the embryologic and anatomic basis of modern surgery. 2. ed. New York: Springer, 2014.
SOUZA, R. S. et al. Hérnia inguinal: revisão de literatura sobre causas e implicações clínicas. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 2345–2356, 2024.
ZOLLINGER, R. M.; ELLISON, E. C. Zollinger's atlas of surgical operations. 10. ed. New York: McGraw-Hill, 2016.


