Afetos, emoções e saúde: a organização da experiência e a construção do self
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n3-039Keywords:
afeto, emoção, regulação afetiva, terapia focada nas emoções, saúdeAbstract
O problema que orienta este artigo reside na dificuldade histórica de diferenciar afeto e emoção, conceitos frequentemente utilizados de forma indistinta na literatura, o que limita a compreensão dos processos que organizam a experiência e sustentam o funcionamento do organismo. Diante disso, o objetivo é analisar o afeto como base da experiência humana, discutindo sua relação com a organização das emoções, a construção do self e os processos de regulação afetiva implicados na saúde. Trata-se de um ensaio teórico fundamentado em uma revisão narrativa da literatura, articulando contribuições da psicologia, da neurociência e da Terapia Focada nas Emoções. Os estudos analisados indicam que a diferenciação entre afeto e emoção auxilia na compreensão da experiência como um processo contínuo, corporal e atualizante, no qual o afeto opera como um campo fundamental a partir do qual as emoções se organizam. Conclui-se, portanto, que a saúde do organismo não se define pela ausência de sofrimento, mas pela capacidade de manter-se em movimento, reorganizando continuamente a experiência do sentir e as informações oriundas desse processo, sendo o fortalecimento dos sistemas afetivos um eixo central para a promoção da capacidade adaptativa do indivíduo.
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