Violência infantil e seus desfechos nos níveis de atenção à saúde: uma análise epidemiológica
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n3-036Keywords:
violência contra a criança, abuso sexual infantil, violência física, epidemiologia, Sistema Único de SaúdeAbstract
Introdução: A violência infantil constitui grave violação de direitos humanos e importante problema de saúde pública no Brasil, marcada por desigualdades estruturais de gênero, raça e idade, com repercussões diretas sobre os níveis de atenção à saúde. Metodologia: Estudo descritivo, transversal e analítico, com abordagem quantitativa e qualitativa, baseado em dados secundários do SINAN, DATASUS e SIH-SUS referentes aos anos de 2022 a 2024, complementado por revisão integrativa da literatura. Foram analisadas notificações de violência física e sexual em crianças de 0 a 14 anos, com estratificação por sexo, faixa etária e raça/cor. Resultados: Registraram-se 368.804 casos de violência infantil, sendo 124.605 de violência sexual e 90.565 de violência física, correspondendo a mais de 50% das notificações totais. Houve predominância do sexo feminino (86%) e da faixa etária de 10 a 14 anos. Crianças pardas representaram a maioria das vítimas. Foram identificados 836 encaminhamentos ambulatoriais e 440 internações hospitalares, evidenciando impacto direto sobre o Sistema Único de Saúde. Discussão: Os achados revelam padrão de vitimização atravessado por desigualdades raciais e de gênero, com destaque para meninas negras na adolescência precoce. A violência infantil mostra-se multifatorial, associada a determinantes sociais e falhas nos sistemas de proteção. Conclusão: A violência física e sexual contra crianças permanece elevada no Brasil, gerando impactos epidemiológicos, assistenciais e econômicos relevantes. O enfrentamento exige políticas públicas intersetoriais, fortalecimento da vigilância, prevenção e cuidado integral nos diferentes níveis de atenção à saúde.
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