Impacto da pandemia de Covid-19 na mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil: um estudo ecológico de séries temporais (2015-2024)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n3-033Keywords:
COVID-19, mortalidade, sistema cardiovascularAbstract
O presente artigo busca analisar o impacto da pandemia de COVID-19 na mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil. Considerando a relevância das complicações cardiovasculares associadas à infecção pelo SARS-CoV-2 e os possíveis efeitos indiretos da pandemia, como a redução do acesso aos serviços de saúde e a sobrecarga dos sistemas hospitalares, justifica-se a necessidade de avaliar as tendências temporais dessa mortalidade antes, durante e após o período pandêmico. Objetiva-se analisar a evolução das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX da CID-10), destacando infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, no período de 2015 a 2024, estratificadas por sexo e faixas etárias. Para tanto, procede-se um estudo ecológico de séries temporais, retrospectivo e descritivo, utilizando dados obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) e projeções populacionais do IBGE (Revisão 2024). As taxas de mortalidade foram calculadas por 100.000 habitantes e comparadas entre os períodos pré-pandêmico (2015–2019), pandêmico (2020–2022) e pós-pandêmico (2023–2024). Desse modo, observa-se que, após tendência de estabilização ou redução no período pré-pandêmico, houve queda das taxas em 2020, seguida de significativo rebote em 2021 e 2022, especialmente nas faixas etárias acima de 60 anos, com posterior estabilização em 2023–2024. As taxas mantiveram-se consistentemente elevadas no sexo masculino e apresentaram forte gradiente etário. O que permite concluir que a pandemia de COVID-19 esteve associada a alterações importantes no padrão de mortalidade cardiovascular brasileiro, sugerindo impactos tanto indiretos da crise sanitária quanto possíveis efeitos tardios da infecção pelo vírus.
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