Associação ecológica entre cobertura vacinal do HPV e indicadores do câncer do colo de útero em Mato Grosso de 2014 a 2024
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n3-023Keywords:
papilomavírus humano, cobertura vacinal, câncer do colo do útero, morbidade hospitalar, saúde públicaAbstract
Considerando que o câncer do colo do útero permanece como importante problema de saúde pública, fortemente associado a iniquidades no acesso à prevenção, ao rastreamento e ao tratamento oportuno, e que a redução da cobertura vacinal contra o papilomavírus humano pode comprometer a efetividade das estratégias de controle da doença, objetivou-se analisar a associação ecológica entre a cobertura vacinal contra HPV e indicadores do câncer do colo do útero no estado de Mato Grosso, no período de 2014 a 2024. Para tanto, procede-se a um estudo ecológico analítico, de abordagem quantitativa, com dados secundários agregados em painel município-ano, totalizando 1.551 observações referentes aos 141 municípios do estado. A exposição principal foi a cobertura vacinal contra HPV, considerando esquema completo, e os desfechos incluíram indicadores hospitalares e mortalidade hospitalar por câncer do colo do útero. Realizaram-se análises descritivas, cálculo de indicadores assistenciais e regressão logística binária com seleção retrógrada. Desse modo, observa-se redução das coberturas vacinais ao longo da série histórica, especialmente da segunda dose até 2020, em paralelo ao aumento do custo hospitalar anual, do custo médio por internação e do número de internações nos anos finais do período. Na análise ajustada, a cobertura vacinal não manteve associação estatisticamente significativa com alta mortalidade hospitalar, ao passo que maior permanência hospitalar e maior custo assistencial permaneceram associados ao desfecho. O que permite concluir que a diminuição da cobertura vacinal, associada ao aumento da carga hospitalar e econômica do câncer do colo do útero, reforça a necessidade de fortalecimento da imunização precoce, da equidade territorial e da integração entre prevenção e assistência no âmbito do Sistema Único de Saúde.
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