Interseccionalidade e saúde: desafios e perspectivas para trabalhadoras do SUS
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n2-093Keywords:
saúde mental, trabalhadoras do SUS, interseccionalidade, educação popular em saúdeAbstract
Considerando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é sustentado majoritariamente por mulheres e que desigualdades estruturais de gênero, raça e classe atravessam suas condições de trabalho, este estudo parte do reconhecimento de que o racismo institucional, o sexismo e a precarização laboral impactam de forma significativa a saúde mental das trabalhadoras do SUS, especialmente das mulheres negras (Werneck, 2016; Bitencourt; Andrade, 2021). Objetiva-se discutir como esses atravessamentos produzem sofrimento psíquico e analisar o potencial da Educação Popular em Saúde como estratégia de enfrentamento dessas desigualdades. Para tanto, procede-se a uma revisão teórica da literatura recente, de abordagem interseccional e sociológica, com destaque para estudos nacionais publicados entre 2018 e 2024 (Sousa; Araújo, 2024; Santos et al., 2023). Desse modo, observa-se que a pandemia da COVID-19 intensificou desigualdades pré-existentes, evidenciando sobrecarga de trabalho, baixos salários, fragilização dos vínculos empregatícios e enfraquecimento das redes institucionais de apoio institucional, sobretudo na ausência de políticas sensíveis às interseccionalidades (Silva et al., 2022; Diniz; Medeiros, 2020). O que permite concluir que a Educação Popular em Saúde se configura como uma estratégia ética e política capaz de fortalecer vínculos, ampliar a autonomia e promover práticas mais justas e humanizadas, contribuindo para a construção de um SUS mais inclusivo, equitativo e sensível à diversidade (Gomes; Merhy, 2011; Nutbeam; Lloyd, 2021).
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