Epidemiologia e a influência do clima sobre o ofidismo no nordeste da Amazônia brasileira, entre 2001 e 2019
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n2-059Keywords:
serpentes, biodiversidade, perfil epidemiológicoAbstract
Ofidismo é uma doença tropical altamente negligenciada, associada às condições socioambientais das regiões onde ocorrem, e constitui um importante agravo de saúde pública no Brasil. Objetiva-se descrever o perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos no Município de Cametá, nordeste do Pará, entre 2001 e 2019. Além disso, buscou-se verificar a relação da frequência destes acidentes com as variáveis climáticas da região. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, de base populacional e com abordagem qualiquantitativa, realizado a partir de dados secundários obtidos na plataforma do Sistema Nacional de Agravos de Notificação, disponibilizados pelo Departamento de Informações do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As informações climáticas foram obtidas no banco de dados WorldClim. Desse modo, observou-se que a maioria das vítimas são do sexo masculino (2.148 registros), entre 20 e 39 anos (1.056 registros), e que o atendimento médico ocorreu, predominantemente, entre uma e três horas após o acidente (898 registros). A região do pé foi a parte do corpo mais afetada (1.169 acidentes). Os acidentes causados por serpentes do gênero Bothrops foram os mais frequentes e ocorreram, em sua maioria, durante os períodos de maior pluviosidade anual. Isto permite concluir que os acidentes ofídicos apresentam um padrão sazonal de ocorrência, concentrando-se nos meses mais chuvosos, sem, contudo, evidenciar influência significativa da temperatura sobre sua frequência.
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