Manejo contemporâneo da colelitíase: fatores de risco, diagnóstico e conduta cirúrgica na forma sintomática e assintomática

Authors

  • Luísa Cristina Parizzi Ferreira
  • Julia Mizuta Lacerda
  • Ana Lídia Barbosa Braga
  • Rodrigo Salim Testa da Rocha
  • Marina Nogueira Monteiro

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv9n2-017

Keywords:

colelitíase, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamento

Abstract

A colelitíase constitui uma das doenças mais frequentes do trato digestório e caracteriza-se pela formação de cálculos no interior da vesícula biliar em decorrência de alterações na composição da bile, distúrbios da motilidade vesicular e fatores metabólicos associados. Trata-se de uma condição multifatorial relacionada a fatores genéticos, metabólicos e ambientais, incluindo obesidade, síndrome metabólica, envelhecimento, perda ponderal rápida e hábitos alimentares inadequados. Além disso, alterações no metabolismo lipídico e fatores modificáveis do estilo de vida exercem papel relevante no desenvolvimento da doença, o que torna fundamental a identificação desses fatores para prevenção e reconhecimento precoce de indivíduos com maior risco. O diagnóstico da colelitíase é realizado principalmente por meio da ultrassonografia abdominal, considerada o método de escolha devido à sua elevada sensibilidade, caráter não invasivo, baixo custo e ampla disponibilidade na prática clínica. Com a ampliação do acesso aos exames de imagem, observa-se aumento na detecção de casos assintomáticos, frequentemente identificados de forma incidental. Embora a maioria dos indivíduos permaneça sem manifestações clínicas ao longo da vida, uma parcela pode evoluir com sintomas típicos de dor biliar ou desenvolver complicações, como colecistite aguda, pancreatite biliar e colangite, o que evidencia a importância de uma avaliação clínica cuidadosa. No que se refere ao manejo terapêutico, a conduta depende da presença ou ausência de sintomas. Nos casos sintomáticos, a colecistectomia laparoscópica é considerada o tratamento padrão-ouro, apresentando elevada eficácia na resolução dos sintomas e na prevenção de recorrências. Por outro lado, em pacientes assintomáticos, a abordagem expectante é geralmente recomendada, visto que a maioria permanece sem sintomas e apresenta baixo risco de complicações. Assim, o manejo contemporâneo da colelitíase baseia-se em uma abordagem individualizada, considerando fatores clínicos, risco cirúrgico e características da doença, a fim de orientar decisões terapêuticas seguras e alinhadas às evidências disponíveis.

References

ASIS: EXPECTANT OR CHOLECYSTECTOMY. A SYSTEMATIC REVIEW. ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo), v. 36, 2023.

CHEN, L. et al. Insights into modifiable risk factors of cholelithiasis: A Mendelian randomization study. Hepatology, v. 75, n. 4, p. 785–796, 13 dez. 2021.

CHEN, Qiliang; ZHANG, Yuanyuan; LI, Shunan; CHEN, Shujiao; LIN, Xuejuan; LI, Candong; ASAKAWA, Tetsuya. Mechanisms underlying the prevention and treatment of cholelithiasis using traditional Chinese medicine. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2019, p. 1–17, 2019.

CIANCI, Pasquale; RESTINI, Edoardo. Management of cholelithiasis with choledocholithiasis: endoscopic and surgical approaches. World Journal of Gastroenterology, v. 27, n. 28, p. 4536–4554, 2021.

FUJITA, N. et al. Evidence-based clinical practice guidelines for cholelithiasis 2021. Journal of Gastroenterology, v. 58, n. 9, p. 801–833, 15 jul. 2023.

MORTAZAVI, Hamed; TIZNO, Ashkan; AZADI, Ali; SAMANI, Rojin; FIROOZI, Negin; HAZRATI, Parham. What is the impact of previous cholelithiasis on sialolithiasis: a systematic review and meta-analysis. The Saudi Dental Journal, v. 36, n. 1, p. 44–51, 2024.

PAK, M.; LINDSETH, G. Risk Factors for Cholelithiasis. Gastroenterology Nursing, v. 39, n. 4, p. 297–309, jul. 2016.

PAN, Lin; GAO, Jie; HAN, Yunfeng; et al. The treatment of cholecystitis and cholelithiasis by Tibetan medicine. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2021, p. 1–13, 2021.

PAVLIDIS, Efstathios T.; PAVLIDIS, Theodoros E. Current management of concomitant cholelithiasis and common bile duct stones. World Journal of Gastrointestinal Surgery, v. 15, n. 2, p. 169–176, 2023.

RIBEIRO JR., Marcelo A.; TEBAR, Gabriela K.; NIERO, Helena B.; PACHECO, Leticia S. Biliary complications associated with weight loss, cholelithiasis and choledocholithiasis. World Journal of Gastrointestinal Pharmacology and Therapeutics, v. 15, n. 4, p. 95647, 2024.

SHENOY, R. et al. Management of symptomatic cholelithiasis: a systematic review. Systematic Reviews, v. 11, n. 1, 12 dez. 2022.

YE, Zhen; XIE, Jinkun; NI, Xiao; et al. Physical activity and risk of cholelithiasis: a narrative review. Frontiers in Medicine, v. 11, 2024.

Published

03/09/2026

How to Cite

FERREIRA, L. C. P.; LACERDA, J. M.; BRAGA, A. L. B.; ROCHA, R. S. T. da; MONTEIRO, M. N. Manejo contemporâneo da colelitíase: fatores de risco, diagnóstico e conduta cirúrgica na forma sintomática e assintomática. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 9, n. 2, p. e86079, 2026. DOI: 10.34119/bjhrv9n2-017. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/86079. Acesso em: 20 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers