Tempo de orquidopexia por testículo não-descido em pacientes pediátricos de hospital terciário: um corte transversal do quadriênio de 2021-2024
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n2-011Keywords:
criptorquidismo, orquidopexia, urologia pediátrica, saúde da criança, atenção primária à saúdeAbstract
A criptorquidia é a anomalia genital masculina mais frequente na infância e está associada à redução do potencial reprodutivo e ao aumento do risco de malignidade testicular quando não corrigida oportunamente. Diretrizes internacionais recomendam encaminhamento ao especialista aos seis meses de idade e realização de orquidopexia preferencialmente entre 6 e 12 meses, no máximo até 18 meses. Entretanto, evidências apontam atraso recorrente na prática clínica. Estudo transversal retrospectivo realizado em hospital terciário entre 2021 e 2024. Foram incluídos pacientes pediátricos submetidos à orquidopexia eletiva por testículo não-descido. Avaliaram-se a idade na primeira consulta especializada, a idade no procedimento cirúrgico e o intervalo entre esses eventos, além da influência da região de procedência e do ano de atendimento. A análise estatística foi conduzida no software R, adotando-se nível de significância de 5%. Foram analisados 127 casos elegíveis. A mediana de idade na primeira consulta especializada foi de 48,1 meses, e a mediana na realização da orquidopexia foi de 58,2 meses, valores superiores ao recomendado pelas diretrizes internacionais. O intervalo entre consulta e cirurgia apresentou mediana de 4,0 meses. Não houve diferença estatisticamente significativa entre as regiões de procedência. Observou-se variação temporal na idade ao encaminhamento ao longo do período estudado. A orquidopexia em nosso serviço é realizada predominantemente fora da janela etária recomendada, evidenciando atraso no manejo da criptorquidia. O intervalo relativamente curto entre consulta e cirurgia sugere que o principal fator associado à correção tardia está relacionado ao encaminhamento especializado. Estratégias voltadas ao fortalecimento da atenção primária e à referência oportuna são essenciais para ampliar a adesão às diretrizes e qualificar a assistência à saúde infantil.
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