Rinoplastia por trauma facial: um estudo epidemiológico no Sul e Sudeste do Brasil frente ao panorama nacional (2014-2024)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n1-167Keywords:
rinoplastia, centros de traumatologia, trauma múltiplo, traumatismos faciais, ossos faciaisAbstract
Introdução: O trauma facial é um problema de saúde pública relevante no Brasil, frequentemente decorrente de acidentes de trânsito e violência interpessoal. Fraturas do complexo maxilofacial, especialmente nasais, podem causar sequelas estético-funcionais e demandam abordagem multidisciplinar. Estudos sobre o perfil epidemiológico de pacientes submetidos à rinoplastia pós-trauma ainda são escassos. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico de pacientes internados para rinoplastia pós-trauma nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, comparando-o ao panorama nacional entre 2014 e 2024. Métodos: Estudo ecológico descritivo baseado em dados secundários do DATASUS e do IBGE. Foram avaliadas variáveis como número de internações, idade, sexo, raça, região, unidade federativa, caráter do atendimento e tipo de estabelecimento, utilizando o CID-10 S02. Os dados foram coletados em maio de 2025 e tabulados em Excel 2010. Resultados: Entre 2014 e 2024, ocorreram 331.963 fraturas de crânio e ossos da face, concentradas no Sudeste (38,1%) e Sul (16,9%). A faixa etária predominante foi de 20–29 anos (30,6%), com 81,5% de casos em homens; 45% dos pacientes eram pardos. Foram registradas 13.561 rinoplastias pós-trauma, majoritariamente eletivas (81,2%), com maior concentração no Sudeste (57,6%) e Sul (19%). Houve redução significativa de procedimentos em 2020–2021, possivelmente relacionada à pandemia de COVID-19. Discussão: A maior prevalência nas regiões Sudeste e Sul relaciona-se à densidade populacional, maior tráfego e disponibilidade de centros especializados. Homens jovens foram os mais afetados, devido à maior exposição a acidentes de trânsito, uso de motocicletas, comportamento de risco e esportes de contato. Fraturas nasais podem estar subnotificadas, e a pandemia impactou a realização de procedimentos eletivos. Conclusão: Rinoplastias pós-trauma concentram-se nas regiões Sudeste e Sul, afetando predominantemente jovens do sexo masculino. Limitações incluem falta de dados sobre desfechos clínicos e etiologia do trauma. Recomenda-se aprimorar os sistemas de notificação hospitalar e descentralizar serviços especializados para fortalecer a vigilância epidemiológica e subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico e manejo das lesões faciais traumáticas.
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