Câncer do colo do útero: relação entre o índice de desenvolvimento humano e a não realização do rastreio nas regiões do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n1-157Keywords:
câncer do colo do útero, desigualdade, exame de rastreio, rastreamentoAbstract
O câncer do colo do útero, terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, é majoritariamente causado pela infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV). Apesar de tratável quando identificado precocemente, esse tipo de câncer ainda apresenta alta mortalidade em algumas regiões do Brasil, reflexo de desigualdades sociais e de acesso à saúde. O presente estudo tem como objetivo comparar estatisticamente a cobertura dos exames preventivos do colo do útero entre as regiões brasileiras e investigar sua relação com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada localidade. Foi conduzido um estudo observacional, analítico, ecológico e transversal, utilizando dados secundários de 2019 provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A população-alvo foi composta por mulheres entre 25 e 64 anos, faixa etária recomendada para rastreamento com o exame citopatológico (Papanicolau). A análise envolveu a correlação entre o percentual de mulheres que nunca realizaram o exame e o IDH médio por região. Os resultados revelaram correlação entre menor IDH e baixa adesão ao exame preventivo, com destaque para as regiões Norte e Nordeste, que apresentaram tanto menor cobertura do rastreamento quanto maior vulnerabilidade socioeconômica. Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste, com IDH mais elevado, demonstraram maiores taxas de adesão. Conclui-se que o desenvolvimento socioeconômico é um fator determinante no acesso à prevenção do câncer do colo do útero. Os achados reforçam a urgência de políticas públicas regionais que garantam equidade no acesso ao rastreamento e cuidado contínuo em saúde.
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