Esquistossomose medular: a importância dos achados de imagem no direcionamento diagnóstico
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n1-149Keywords:
esquistossomose medular, mielorradiculopatia, ressonância magnéticaAbstract
A esquistossomose medular (EM) é apresentação atípica da esquistossomse, já que usualmente os vasos da medula espinhal não são usados pelo parasita. Apesar da baixa prevalência, é considerada causa frequente de mielopatia não-traumática e não-neoplásica no Brasil. A ressonância magnética (RM) da coluna vertebral pode demonstrar achados característicos da EM, como o padrão de realce do tipo “arborizado”. No entanto, o radiologista deve estar ciente dos dados clínicos e epidemiológicos que corroboram com a hipótese, pois do contrário tais achados podem ser considerados inespecíficos, possivelmente limitando a avaliação e atrasando o diagnóstico. Neste trabalho, relatamos um caso em que paciente do sexo feminino, 22 anos, natural e residente no Maranhão, Brasil, apresentou-se ao atendimento inicial com quadro de mielorradiculopatia há 2 semanas. O hemograma revelou eosinofilia e a análise do líquor, hiperproteinorraquia, estando a citometria normal. RM da coluna dorsolombar demonstrou focos de hipersinal em T2 e hipossinal em T1 no cone medular com realce após o uso do meio de contraste endovenoso, além de espessamento do cone medular, admitindo-se esquistossomose como hipótese diagnóstica. Imunofluorescência indireta foi positiva para o reagente Schistosoma mansoni. Após melhora clínica com o tratamento proposto, a paciente recebeu alta para acompanhamento ambulatorial multiprofissional. O diagnóstico da EM se baseia em fatores epidemiológicos, manifestações clínicas e achados de imagem. O caso reforça a importância da suspeição imagenológica no direcionamento diagnóstico em pacientes com mielopatia aguda, visto que a pesquisa pelo Schistossoma foi considerada após realização de RM em paciente sem oturos sinais clínicos de esquistossomose.
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