Nefropatia por IgA com quadro de síndrome nefrótica: relato de caso

Authors

  • Rodrigo Pinheiro Neiva Jordão
  • Igor Gabriel Nogueira de Andrade
  • Elber Rocha Barbosa Junior
  • João Paulo Pereira Caldas
  • Fellipe Loureiro de Quadros Godinho
  • Ygor Costa Barros
  • Lenisa Cezar Vilas Boas

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv9n1-062

Keywords:

Nefropatia por IgA, glomerulonefrite por IgA, Doença de Berger

Abstract

Introdução: A Nefropatia por IgA (NIgA), ou Doença de Berger, é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizando-se por depósitos mesangiais de imunoglobulina A nos glomérulos renais. Sua apresentação clínica é heterogênea, variando de hematúria microscópica assintomática até quadros graves de síndrome nefrótica e glomerulonefrite rapidamente progressiva. Estima-se que 30 a 40% dos pacientes evoluam para doença renal terminal em até 30 anos. No Brasil, sua prevalência apresenta variações regionais, sendo mais elevada no Sudeste e menor no Nordeste, o que pode refletir diferenças genéticas, práticas clínicas e acesso à biópsia renal. A patogênese envolve mecanismos autoimunes complexos ainda não totalmente compreendidos. O diagnóstico requer biópsia renal, e o prognóstico depende de parâmetros clínicos e histológicos, como a proteinúria, função renal e a Classificação de Oxford. O tratamento é voltado para o controle da proteinúria e da hipertensão, com uso de IECA/BRA e, em casos selecionados, corticosteroides. A variabilidade da doença impõe a necessidade de manejo individualizado. Objetivo: Relatar o caso de um paciente do sexo masculino, 51 anos, com quadro de síndrome nefrótica e lesão renal aguda secundárias à Nefropatia por IgA (NIgA), descrevendo sua evolução clínica, achados histopatológicos e resposta terapêutica ao longo do acompanhamento. Materiais e métodos: Os dados foram obtidos por meio de revisão de prontuário do paciente, exames complementares do mesmo e revisão de literatura. Relato de caso: O paciente apresentou edema, espumúria e proteinúria nefrótica importante (RAC inicial 7.692 mg/g Cr), com progressão de creatinina de 1,6 para 2,02 mg/dl. A biópsia revelou glomeruloesclerose segmentar, proliferação mesangial focal e depósitos mesangiais de IgA em padrão granular (++/3+), compatíveis com NIgA Classificação de Oxford M0 S1 E0 T0 C0. Houve múltiplas recaídas apesar de terapia com IECA/BRA, pulsoterapia com metilprednisolona, prednisona oral e rituximabe, sendo posteriormente iniciada ciclosporina. A evolução foi marcada por oscilações da função renal e persistência de graus variáveis de proteinúria, embora com períodos de estabilização parcial. Conclusão: O caso ilustra a apresentação agressiva e recorrente da Nefropatia por IgA com síndrome nefrótica, ressaltando a importância da biópsia renal para definição prognóstica e terapêutica. Evidencia ainda a necessidade de acompanhamento contínuo, manejo individualizado e reavaliações frequentes em pacientes com formas refratárias ou evoluções clínicas flutuantes.

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Published

01/14/2026

How to Cite

JORDÃO, R. P. N.; ANDRADE, I. G. N. de; BARBOSA JUNIOR, E. R.; CALDAS, J. P. P.; GODINHO, F. L. de Q.; BARROS, Y. C.; BOAS, L. C. V. Nefropatia por IgA com quadro de síndrome nefrótica: relato de caso. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 9, n. 1, p. e85095, 2026. DOI: 10.34119/bjhrv9n1-062. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/85095. Acesso em: 20 oct. 2026.

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Original Papers