Sepse: avanços na compreensão fisiopatológica, desafios no diagnóstico precoce e perspectivas terapêuticas contemporâneas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv9n1-017Keywords:
sepse, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamentoAbstract
A sepse permanece como uma das principais causas de mortalidade em ambientes hospitalares e de terapia intensiva, configurando-se como uma síndrome clínica complexa decorrente de uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, associada à disfunção orgânica potencialmente fatal. Apesar dos avanços na padronização conceitual e na consolidação de critérios diagnósticos mais objetivos, a sepse continua a representar um desafio expressivo para os sistemas de saúde, tanto pela elevada incidência quanto pela dificuldade em mensurar com precisão sua real carga global, especialmente em cenários com limitações estruturais e assistenciais. Ademais, a heterogeneidade clínica da síndrome contribui para atrasos no reconhecimento e início oportuno do tratamento, impactando negativamente os desfechos. Nas últimas décadas, a compreensão da fisiopatologia da sepse evoluiu de forma significativa, superando o modelo simplista centrado exclusivamente na inflamação exacerbada. Atualmente, reconhece-se a sepse como um processo dinâmico e multifatorial, caracterizado pela interação complexa entre ativação inflamatória, imunossupressão, disfunção endotelial, alterações metabólicas, distúrbios da coagulação e comprometimento microcirculatório. Nesse contexto, destacam-se as redes de sinalização sistêmica e o papel central das plaquetas, que atuam não apenas na hemostasia, mas também como moduladoras da resposta imune e inflamatória, contribuindo para a progressão da disfunção orgânica. Paralelamente, o diagnóstico precoce da sepse permanece um dos maiores desafios da prática clínica, uma vez que os sinais iniciais são frequentemente inespecíficos e podem se confundir com outras condições agudas. Embora biomarcadores tradicionais sejam amplamente utilizados, suas limitações têm impulsionado a investigação de novos marcadores moleculares e metabólicos, bem como estratégias diagnósticas multimodais, visando maior sensibilidade e especificidade nas fases iniciais da doença. Do ponto de vista terapêutico, as taxas de morbimortalidade permanecem elevadas. Assim, emergem perspectivas terapêuticas focadas na modulação direcionada da resposta imune, em alvos metabólicos específicos e em abordagens personalizadas, sinalizando um caminho promissor para a melhoria dos desfechos clínicos na sepse.
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