Rosácea: avanços na compreensão fisiopatológica, classificação clínica e abordagens terapêuticas contemporâneas

Authors

  • Emanuely Camargo Barbosa
  • Amanda Motta Scaliante
  • Eduarda Silva Guedes
  • Fernanda Dantas Pinto de Paiva
  • Gil Mario Lopes Santos de Carvalho Junior

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-415

Keywords:

rosácea, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamento

Abstract

A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica de elevada prevalência, cuja compreensão tem evoluído de forma consistente nas últimas décadas, especialmente no que diz respeito aos seus mecanismos fisiopatológicos, à classificação clínica e às estratégias terapêuticas atualmente disponíveis. Evidências recentes indicam que a doença resulta de uma interação complexa entre disfunções da imunidade inata, alterações neurovasculares, comprometimento da barreira cutânea e influência do microbioma cutâneo e intestinal. Nesse contexto, processos inflamatórios mediados por peptídeos antimicrobianos, ativação exacerbada de vias inflamatórias e resposta vascular desregulada contribuem de maneira decisiva para o desenvolvimento e a manutenção das lesões cutâneas. Além disso, fatores ambientais, dietéticos e comportamentais exercem papel modulador relevante, atuando como desencadeadores ou agravantes das manifestações clínicas. No que se refere à classificação, o modelo tradicional baseado em subtipos vem sendo gradualmente substituído por uma abordagem centrada em fenótipos clínicos, o que permite uma avaliação mais precisa e individualizada dos pacientes. Essa estratégia considera a presença e a intensidade de sinais como eritema persistente, pápulas e pústulas inflamatórias, telangiectasias, alterações fimatosas e acometimento ocular, reconhecendo que essas manifestações podem coexistir e variar ao longo do tempo em um mesmo indivíduo. Tal mudança tem impacto direto na escolha terapêutica e no seguimento clínico. Paralelamente, os avanços terapêuticos têm ampliado significativamente as possibilidades de manejo da rosácea. Novas formulações tópicas e sistemas modernos de liberação de fármacos têm melhorado a eficácia clínica e a tolerabilidade cutânea. No âmbito sistêmico, o uso de isotretinoína em baixas doses consolidou-se como alternativa eficaz para casos moderados a graves ou refratários, com perfil de segurança mais favorável. Ademais, terapias emergentes e abordagens integradas, incluindo cuidados específicos para o acometimento ocular e estratégias individualizadas de longo prazo, reforçam a importância de um manejo contínuo e centrado no paciente, com impacto positivo na qualidade de vida.

References

ALEXIS, A. F. et al. Global epidemiology and clinical spectrum of rosacea, highlighting skin of color: Review and clinical practice experience. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 80, n. 6, p. 1722-1729.e7, 1 jun. 2019.

ANA CLÁUDIA PAIVA-SANTOS et al. Rosacea Topical Treatment and Care: From Traditional to New Drug Delivery Systems. Molecular Pharmaceutics, v. 20, n. 8, p. 3804–3828, 21 jul. 2023.

ASSIRI, A. et al. Efficacy of Low-Dose Isotretinoin in the Treatment of Rosacea: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cureus, 27 mar. 2024.

BAGATIN, E. et al. Consensus on the use of oral isotretinoin in dermatology - Brazilian Society of Dermatology. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 95, p. 19–38, nov. 2020.

CAROLINA, A.; ANA LUISA HÖFLING-LIMA; MANNIS, M. J. Ocular rosacea: a review. Arquivos Brasileiros De Oftalmologia, v. 75, n. 5, p. 363–369, 1 out. 2012.

CHOE, J.; BARBIERI, J. S. Emerging Medical Therapies in Rosacea: A Narrative Review. Dermatology and Therapy, v. 13, n. 12, p. 2933–2949, 12 out. 2023.

DAOU, H. et al. Rosacea and the Microbiome: A Systematic Review. Dermatology and Therapy, v. 11, n. 1, p. 1–12, 10 nov. 2020.

ESTHER et al. Rosacea: New Concepts in Classification and Treatment. American Journal of Clinical Dermatology, v. 22, n. 4, p. 457–465, 23 mar. 2021.

JAMGOCHIAN, M.; ALAMGIR, M.; RAO, B. Diet in Dermatology: Review of Diet’s Influence on the Conditions of Rosacea, Hidradenitis Suppurativa, Herpes Labialis, and Vitiligo. American Journal of Lifestyle Medicine, v. 17, n. 1, p. 152–160, 2 jul. 2021.

OLIVEIRA, C. M. M. DE et al. Consensus on the therapeutic management of rosacea – Brazilian Society of Dermatology. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 95, p. 53–69, nov. 2020.

PATEL, N. V.; GUPTA, N.; SHETTY, R. Preferred practice patterns and review on rosacea. Indian Journal of Ophthalmology, v. 71, n. 4, p. 1382–1390, 1 abr. 2023.

RODRIGUES-BRAZ, D. et al. Cutaneous and ocular rosacea: Common and specific physiopathogenic mechanisms and study models. Molecular vision, v. 27, p. 323–353, 2021.

STACEY, S. K.; MCELENEY, M. Topical Corticosteroids: Choice and Application. American Family Physician, v. 103, n. 6, p. 337–343, 15 mar. 2021.

TANNUS, F. C. et al. Rosacea-specific quality of life questionnaire: translation, cultural adaptation and validation for Brazilian Portuguese. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 93, n. 6, p. 836–842, dez. 2018.

VAN ZUUREN, E. J. et al. Rosacea: New Concepts in Classification and Treatment. American Journal of Clinical Dermatology, v. 22, n. 4, p. 457–465, 23 mar. 2021.

ZHANG, H. et al. Rosacea Treatment: Review and Update. Dermatology and Therapy, v. 11, n. 1, p. 13–24, 10 nov. 2020.

Published

12/30/2025

How to Cite

BARBOSA, E. C.; SCALIANTE, A. M.; GUEDES, E. S.; PAIVA, F. D. P. de; CARVALHO JUNIOR, G. M. L. S. de. Rosácea: avanços na compreensão fisiopatológica, classificação clínica e abordagens terapêuticas contemporâneas. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 6, p. e84863, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n6-415. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/84863. Acesso em: 21 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers