Neurotoxicidade induzida por anestésicos na população pediátrica: revisão integrativa e o estado atual das evidências clínicas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-395Keywords:
anestesia pediátrica, neurodesenvolvimento, neurotoxicidadeAbstract
INTRODUÇÃO: O uso da anestesia geral (AG) em crianças, é alvo de intensa investigação devido à potencial neurotoxicidade. Estudos pré-clínicos demonstram que a exposição prolongada a anestésicos comuns, que modulam receptores NMDA e GABA, pode causar apoptose neuronal e déficits cognitivos/comportamentais a longo prazo. O risco também envolve a interrupção das conexões sinápticas cruciais ("conexões perdidas"). Contudo, a translação para o cenário clínico é desafiadora, pois fatores como a doença subjacente e o stress cirúrgico atuam como importantes variáveis de confusão.. OBJETIVO: Identificar as perspectivas atuais sobre a neurotoxicidade induzida pelos anestésicos na população pediátrica. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa na base de dados PUBMED utilizando os descritores "ANESTHESIA, PEDIATRIC OR ANESTHETICS AND NEUROTOXICITY AND NEUROLOGICAL DEVELOPMENT OR PEDIATRIC AND ANESTHETIC AND NEURODEVELOPMENT” para artigos publicados entre 2020 e 2025. RESULTADOS: Uma única exposição à AG, embora não afete o QI, está associada a aumentos sutis nos problemas comportamentais relatados pelos pais. Em contraste, estudos de coorte mais recentes, sugerem um risco baixo para atrasos no neurodesenvolvimento global. O consenso é que o risco é obscurecido por múltiplos fatores de confusão (doença, cirurgia, neuroinflamação), sendo o principal desafio encontrar o "ponto ideal" de exposição segura. A pesquisa aponta para mecanismos moleculares sutis, como a ativação de caspases não apoptóticas, e estende a preocupação para a sedação prolongada em UTIs. CONCLUSÃO: A evidência clínica sobre neurotoxicidade em crianças é complexa, sugerindo baixo risco de déficits de QI, mas preocupações persistentes com aumentos sutis em problemas comportamentais. A mitigação do risco envolve a adoção da anestesia locorregional e a estrita aplicação do princípio ALARA, buscando a menor exposição possível aos agentes.
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