Tendência temporal das internações por intercorrências cirúrgicas pós-cirurgia bariátrica no SUS na região sudeste entre 2014–2024

Authors

  • Gabriela Araujo Ribas
  • Leonardo Ferrato Pacheco
  • Mariana da Silva Franco
  • Pietra Benedito Granja
  • Amanda Vipych Silva
  • João Vitor Pereira Nascente
  • Matheus Cordeiro Conceição Pereira
  • Eduarda Diniz de Freitas
  • Mércia Vanessa Clementino de Carvalho Torres
  • Lucas Accorsi Albaneze
  • Julio Agostinho Strazzabosco Martins Neto
  • Matheus de Menezes Bezerra Leite

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-337

Keywords:

procedimentos cirúrgicos do sistema digestório, complicações pós-operatórias, monitoramento epidemiológico, análise espaço-temporal

Abstract

Considerando que a obesidade é uma epidemia global e a Cirurgia Bariátrica (CB) é a intervenção mais eficaz para casos graves, as intercorrências cirúrgicas pós-operatórias representam um desafio contínuo à segurança do paciente. No Brasil, existe uma lacuna crítica na literatura sobre a tendência temporal e o ônus real das complicações pós-bariátricas no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivou-se avaliar a tendência temporal (2014–2024) das taxas brutas de internação, óbitos e custos hospitalares por intercorrências pós-bariátrica no SUS na Região Sudeste, quantificando também sua dispersão geográfica. Para tanto, procede-se a um estudo ecológico de série temporal, analisando dados agregados extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) pelo código SIGTAP 0407010378. A tendência temporal foi avaliada pelo modelo de Regressão Log-Linear para o cálculo da Variação Percentual Anual (VPA). Desse modo, observou-se que a Taxa Bruta de Internações manteve-se estável ao longo da década (VPA: -1,58%; p=0,670), refutando a hipótese de crescimento. As taxas de óbitos e custos também não apresentaram tendência linear significativa. A análise revelou uma extrema concentração de casos em São Paulo, responsável por 73,9% do volume total de internações, evidenciada pelo Coeficiente de Variação de 137,29%. Conclui-se que a estabilidade das taxas populacionais sugere um potencial aprimoramento na segurança dos protocolos cirúrgicos nos grandes centros de referência. Os achados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas regionalizadas para fortalecer a capacidade de referência hospitalar e a vigilância epidemiológica, dado a taxa de mortalidade média regional de 10,05% associada ao tratamento dessas intercorrências.

References

ANGRISANI, L. et al. Bariatric surgery worldwide 2018. Obesity Surgery, v. 31, n. 5, p. 2079–2090, 2021.

ARTERBURN, D. E. et al. Weight outcomes of sleeve gastrectomy and gastric bypass in the first 5 years after surgery. New England Journal of Medicine, v. 382, p. 1309–1320, 2020.

ARTERBURN, D. E.; COURCOULAS, A. P. Bariatric surgery for obesity and metabolic conditions in adults. BMJ, v. 349, g3961, 2014.

ASMBS CLINICAL ISSUES COMMITTEE. Peri-operative management of bariatric surgery patients: ASMBS guidelines. Surgery for Obesity and Related Diseases, v. 16, n. 10, p. 1753–1762, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. SIGTAP – Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos do SUS. Procedimento 0407010378 – Tratamento de intercorrências pós-cirurgia bariátrica. Brasília: DATASUS, 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.

GIGANTE, D. P.; MOURA, E. C.; SARDINHA, L. M. V. Prevalência de obesidade e associação com fatores demográficos e de saúde nas regiões brasileiras: análise da PNS. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 5, 2021.

HUTTER, M. M. et al. First report from the American College of Surgeons Bariatric Surgery Center Network: laparoscopic sleeve gastrectomy has morbidity and mortality comparable to laparoscopic gastric bypass. Annals of Surgery, v. 254, n. 3, p. 410–420, 2011.

KELLES, S. M. B.; MACHADO, C. J.; BARRETO, S. M. Dez anos de cirurgia bariátrica no Brasil: mortalidade intra-hospitalar em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde ou por operadora de saúde suplementar. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, v. 27, n. 4, p. 261–267, 2014.

O’BRIEN, P. E. et al. Long-term outcomes after bariatric surgery: a systematic review and meta-analysis of weight loss at 10 or more years. Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 7, n. 12, p. 938–948, 2019.

PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

SCHAUER, P. R. et al. Bariatric surgery versus intensive medical therapy for diabetes — final results of a 5-year randomized trial. New England Journal of Medicine, v. 376, p. 641–651, 2017.

TRAVASSOS, C.; MARTINS, M. Uma revisão sobre os conceitos de acesso e utilização de serviços de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 20, supl. 2, p. S190–S198, 2004.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO, 2022.

Published

12/11/2025

How to Cite

RIBAS, G. A.; PACHECO, L. F.; FRANCO, M. da S.; GRANJA, P. B.; SILVA, A. V.; NASCENTE, J. V. P.; PEREIRA, M. C. C.; FREITAS, E. D. de; TORRES, M. V. C. de C.; ALBANEZE, L. A.; MARTINS NETO, J. A. S.; LEITE, M. de M. B. Tendência temporal das internações por intercorrências cirúrgicas pós-cirurgia bariátrica no SUS na região sudeste entre 2014–2024. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 6, p. e84515, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n6-337. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/84515. Acesso em: 21 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers