Achados clínicos, laboratoriais e microbiológicos das infecções por meningite bacteriana pós-neurocirurgias em um hospital terciário de ensino de São José do Rio Preto
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-315Keywords:
meningite bacteriana, neurocirurgia, líquido cefalorraquidianoAbstract
Introdução: A meningite bacteriana é uma emergência neurológica com alta morbidade e mortalidade. Representa a segunda causa de infecções pós-neurocirurgias, sendo preocupante pelas possíveis sequelas e sua taxa de letalidade. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o principal método diagnóstico. Objetivos: Caracterizar os casos de meningite bacteriana pós-neurocirurgias ocorridos de janeiro de 2019 a dezembro de 2022 em um hospital terciário de ensino de São José do Rio Preto quanto à clínica do paciente, resultado do LCR e resultado microbiológico da cultura, separados em grupo com todas as culturas negativas e grupo com pelo menos uma cultura positiva. Métodos: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo cujos dados foram obtidos da análise de prontuários eletrônicos, do resultado do líquor e do banco de dados fornecido pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Resultados: Dos 224 pacientes, 90 (40,2%) eram mulheres e 134 (59,8%) eram homens, com média de idade de 53,3 anos (15-89). Houve predomínio de infecções relacionadas a craniotomia descompressiva/cranioplastia (110 casos, 49,1%) e Derivação Ventricular Externa (DVE) (37 casos, 16,5%) em ambos os grupos analisados. O tempo médio de internação foi maior entre os pacientes com pelo menos uma cultura positiva. Em ambos os grupos foram observados febre, rebaixamento do nível de consciência, agitação, cefaleia e vômito como principais manifestações clínicas, bem como houve casos assintomáticos. Em relação ao liquor, foram analisadas 1015 amostras no total, com a maioria apresentando aumento de leucócitos, proteínas e lactato, e diminuição da glicose. Os principais agentes isolados na cultura foram Acinetobacter baumannii (27,4%), Pseudomonas aeruginosa (20,2%), e Klebsiella pneumoniae (15,3%). Na bacterioscopia, houve predomínio de bacilos gram-negativos. Quanto ao desfecho dos pacientes, 112 (50%) foram à óbito. Dos 112 que tiveram alta, 54 (48,2%) não tiveram sequelas ou foram indeterminadas e 58 (51,8%) tiveram alguma sequela. Conclusão: As infecções por meningite bacteriana pós-neurocirurgias foram caracterizadas pelo predomínio de pessoas do sexo masculino, de craniotomia descompressiva/cranioplastia e DVE, de febre e rebaixamento do nível de consciência como clínica, e de alterações no resultado do liquor (aumento de lactato, de leucócitos e de proteínas e diminuição de glicose). Os agentes etiológicos mais encontrados na cultura foram Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, e na bacterioscopia, os bacilos gram-negativos. Houve um grande número de óbitos e de pacientes com sequelas.
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