Uso do óleo de silicone em vitrectomia: análise crítica dos benefícios, riscos e perspectivas futuras
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-307Keywords:
vitrectomia, óleo de silicone, proliferative vitreoretinopathyAbstract
Objetivo: Sintetizar as evidências sobre o uso do óleo de silicone (OS) como endotamponante em vitrectomia para descolamentos de retina complexos, destacando indicações, eficácia anatômica, complicações, tempo de permanência/retirada e papel dos óleos de silicone pesados (HSO). Métodos: Revisão narrativa com busca estruturada em PubMed/MEDLINE, Cochrane/PMC e periódicos de especialidade (1987–2025), incluindo ensaios randomizados clássicos (Silicone Study), coortes contemporâneas e revisões sistemáticas. Foram extraídos desfechos de reaplicação retiniana, redescolamento pós-retirada, pressão intraocular, ceratopatia, emulsificação, acuidade visual final e ocorrência de perda visual inexplicada. Resultados: OS e gases expansíveis apresentam eficácia semelhante na reaplicação anatômica em PVR, com perfis de complicações distintos: o OS confere estabilidade prolongada (útil em PVR severa, GRT e roturas inferiores), porém aumenta o risco de emulsificação, glaucoma, ceratopatia e catarata, além de casos de perda visual inexplicada. HSO melhoram o tamponamento inferior e podem favorecer o controle em PVR inferior, mas não demonstram superioridade funcional consistente e têm maior propensão à emulsificação quando mantidos por longos períodos. Evidências recentes apoiam retirada mais precoce do OS (≈8–12 semanas) quando a retina está estável, reduzindo complicações sem elevar de forma significativa o redescolamento. Em GRT com fóvea poupada e boa adesão ao posicionamento, gases podem oferecer melhor função visual e menos complicações. Conclusões: O OS permanece essencial em cenários complexos que requerem tamponamento estável, mas sua utilização deve ser criteriosa e individualizada, balanceando ganhos anatômicos e riscos cumulativos. A decisão sobre tipo de óleo (viscosidade/densidade) e tempo de permanência deve considerar anatomia, risco de PVR residual, adesão do paciente e experiência do cirurgião. A perspectiva futura inclui tamponantes mais biocompatíveis e estratégias para minimizar emulsificação e disfunção visual.
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