A perversão na Psicanálise: da moral ao estrutural — contribuições de Freud e Lacan
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-283Keywords:
Psicanálise, perversão, estrutura clínica, Freud, Lacan, clínica contemporâneaAbstract
O presente artigo investiga a construção histórica e clínica do conceito de perversão, desde suas origens etimológicas e morais até sua sistematização freudiana e radicalização lacaniana. Inicialmente, a perversão circulou nos discursos religiosos e médicos como desvio moral ou degeneração biológica, sendo objeto de controle social e científico. Freud deslocou o debate, compreendendo a perversão como dimensão estrutural da constituição psíquica, marcada pela relação do sujeito com a castração e o desejo do Outro. Lacan, por sua vez, elevou a perversão ao estatuto de estrutura clínica fundamental, destacando o papel do objeto a e do desmentido como mecanismos centrais. O estudo também discute as implicações clínicas contemporâneas, enfatizando a distinção entre traços perversos e estrutura perversa, e os desafios éticos e culturais para a prática analítica. O problema de pesquisa centra-se em como compreender a perversão como estrutura subjetiva em um contexto sociocultural que tende a banalizar ou moralizar práticas de gozo.
References
AGUIAR, Tadeu Oliveira de. Das estruturas clínicas a estrutura da cadeia borromeana: interrogações sobre a lógica diagnóstica no ensino de Lacan. 2025. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2025.
BEACHY, R. Gay Berlin: Birthplace of a Modern Identity. New York: Knopf, 2014.
BENTO, J. A. A construção histórica da sexualidade na medicina do século XIX. Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 24, n. 3, p. 540–548, 2012.
CHARCOT, J.-M. Leçons du Mardi à la Salpêtrière. Paris: Bureaux du Progrès Médical, 1887 [Reimpr. 2006].
DE AGUIAR, TADEU OLIVEIRA et al. MESTRADO EM PSICOLOGIA.
FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, S. O fetichismo (1927). In: FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, Sigmund. Neurose, psicose, perversão. Autêntica, 2016.
GOLTZ, D. Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, and Queer Movements. In: LIND, A.; BRZUZY, S. (Ed.). Battleground: Women, Gender, and Sexuality. London: Greenwood Publishing Group, 2008.
JULIEN, Philippe. Psicose, perversão, neurose: a leitura de Jacques Lacan. Companhia de Freud, 2004.
KNAFO, D.; LO BOSCO, R. The Age of Perversion: Desire and Technology in Psychoanalysis and Culture. New York: Routledge, 2020.
KRAFFT-EBING, R. von. Psychopathia Sexualis: A Clinical-Forensic Study. New York: Putnam, 1965 [1886].
MOREL, B.-A. Traité des dégénérescences physiques, intellectuelles et morales de l’espèce humaine. Paris: Baillière, 1857.
RIBEIRO, A. P. Sexualidade e clínica psicanalítica: a atualidade dos Três Ensaios. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 55, n. 2, p. 215–232, 2021.
ROUDINESCO, E. História da psicanálise na França. v. 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
ROUDINESCO, Elisabeth. A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2008.
SIMIÃO, Anna Rita Maciel. Sexualidade e perversão na psiquiatria de Krafft-Ebing. Mestrado em psicologia, Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2015.


